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'Supernanny': Violação de direitos ou parentalidade em debate?

A estação televisiva responsável pela produção do programa 'Supernanny' organizou um debate, onde chamou 'a palco' vozes opositoras do formato e os apologistas de que se trata de um projeto em prol da parentalidade.

'Supernanny': Violação de direitos ou parentalidade em debate?
Notícias ao Minuto

23:51 - 22/01/18 por Filipa Matias Pereira

País Debate

Chama-se ‘Supernanny’ e promete ajudar as famílias portuguesas, através da psicóloga Teresa Paula Marques, a lidar com a dinâmica familiar, sugerindo estratégias que, objetivamente, pretendem contribuir para diminuir o “atrito”. Trata-se, com efeito, de um programa televisivo de um formato internacional exibido em mais de 20 países que surgiu em Inglaterra há mais de 14 anos.

Entretanto, o modelo foi replicado em França e a controvérsia foi-se gerando em diversos países. Em 2016, aliás, uma petição pedia a interrupção da difusão do programa em França por violação dos direitos das crianças, mas o formato continuou no ar durante 10 anos. Por outro lado, a versão brasileira do ‘Supernanny’ teve nove temporadas e foi recebendo aplausos de vários quadrantes da sociedade.

No início de 2018, o formato chegou efetivamente a Portugal e após a divulgação do primeiro episódio a polémica instalou-se, algo que, no entanto, “não surpreendeu” a emissora de televisão de Carnaxide.

Na opinião de Teresa Paula Marques, a polémica que se tem gerado “confirma a necessidade de debater assuntos de pais e filhos”. Para a psicóloga, o ‘Supernanny’ dá “ferramentas às famílias para resolver conflitos que há lá em casa, isto porque a confusão põe as pessoas a pensar na parentalidade”.

Nos últimos dias, este tema tem feito correr muita tinta na imprensa nacional e várias sãos as entidades que têm vindo a público com o objetivo de apelar a instâncias superiores para atuarem em prol da defesa dos direitos das crianças.

Perante este cenário, a estação televisiva organizou um debate, reunindo assim as principais vozes de oposição do formato, Rosário Farmhouse, presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), e Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), e ainda Júlia Pinheiro, na qualidade de diretora executiva de conteúdos da SIC. No debate esteve ainda presente a psicóloga Cristina Valente.

“Não gostei do que vi. A criança foi exposta de uma forma para lá do admissível”

Na sua intervenção, a presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens começou por explicar que a intervenção da instituição “se iniciou antes mesmo de o primeiro episódio ter ido para o ar porque fomos vendo as imagens promocionais e, para além disso, recebemos uma queixa de um familiar próximo da criança que protagonizou o primeiro ‘Supernanny’. Este familiar considerou que estava em causa uma clara violação da Convenção dos Direitos da Criança, nomeadamente do seu direito à imagem e à privacidade. E foi nesse sentido que contactámos a SIC. Pretendíamos sensibilizar a produção para esta realidade”, defende.

Questionada pela moderadora quanto ao grau de parentesco do referido familiar que apresentou a queixa, Rosário Farmhouse garantiu que era “muito próximo” e que este “não reconhecia a criança naqueles comportamentos”.

A presidente da CNPDPCJ foi ainda mais longe, admitindo que não apreciou o formato do programa: “Não gostei do que vi. A criança foi exposta de uma forma para lá do admissível”. Trata-se “de uma exposição mediática dos momentos mais íntimos da sua vida e que são ali ampliados. Depois da exibição do programa recebemos 21 queixas”, explicou.

“A SIC não se sente incomodada com a opinião de uma série de instituições especialistas no apoio à criança?”

Por sua vez, perante as circunstâncias, o Instituto de Apoio à Criança resolveu associar-se à crítica da CNPDPCJ para “defender os direitos das crianças”. Na opinião de Dulce Rocha, o ‘Supernanny’ “expõe as partes mais negativas que comuns a todas as crianças. E ao veicular a parte mais negativa de cada uma está a prejudicar a criança no seu futuro”.

A presidente do IAC aproveitou ainda a oportunidade para relembrar que há direitos indisponíveis “que são dados à família com o objetivo de proteger a criança. Quando se trata de um direito pessoal, na minha opinião, este é indisponível. E a sua exposição afeta a dignidade da criança”.

O IAC tem, inclusive, “follow ups de outros países em que as crianças são expostas a situações que parecem inócuas e, na verdade, estas acabam por se suicidar ou por terem depressões. Temos elementos que nos levam a defender que a criança sofre ao ver-se retratada de forma negativa”. Perante esta argumentação, Dulce Rocha apresentou, inclusive, uma questão à representante da estação televisiva: “A SIC não se sente incomodada com a opinião de uma série de instituições especialistas no apoio à criança?”

“O ‘Supernanny' veio abrir um debate que não está a ser feito. Falo da crise da parentalidade”

Júlia Pinheiro, na sua intervenção, começou por clarificar que a estação televisiva que representa estava “preparada para a polémica” e, aliás, está “respaldada por aquilo que são os limites legais destas matérias”.

Na opinião da diretora executiva de conteúdos, “o 'Supernanny' veio abrir um debate que não está a ser feito. Falo da crise da parentalidade”. E “toda esta reação só mostra a realidade que não queremos ver mas que sabemos que está lá”. Com este formato televisivo, a SIC teve uma “intenção puramente social e pedagógica. O nosso único objetivo é dar ferramentas para que os pais possam trabalhar a parentalidade”.

“A SIC tem mérito por colocar no panorama português um projeto sobre parentalidade”

Na ótica da psicóloga, a tónica do ‘Supernanny’ deve ser posta na abordagem positiva: “A SIC tem mérito por colocar no panorama português, pela primeira vez na história da televisão, um projeto sobre parentalidade”.

Este programa mostra, na sua opinião, por um lado, “que a responsabilidade dos desafios da dinâmica familiar é dos pais e, por outro, que as soluções implicam esforço, dor e superação”.

Por isso, “a intenção da SIC é positiva. Temos de olhar para os erros e perceber que são excelentes formas de aprendizagem. Qualquer desafio que um pai enfrenta em relação à criança é uma oportunidade para evangelizá-lo e ter uma postura pedagógica”.

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