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Arquitetura de Manuel Aires Mateus é "moderna, abstrata e contemporânea"

A arquitetura de Manuel Aires Mateus, distinguido hoje com o Prémio Pessoa, "é moderna, abstrata e contemporânea, mas parte de uma recolha de formas e materiais vernaculares portugueses", afirmou o júri.

Arquitetura de Manuel Aires Mateus é "moderna, abstrata e contemporânea"

Referindo que a sua "obra é vasta", o júri destacou, no estrangeiro, os projetos de sua autoria, o Centro de Criação Contemporânea, em Tours, em França, e o Museu de Design e Arte Contemporânea, em Lausanne, e, em Portugal, a sede da EDP, em Lisboa, onde, "com dois fragmentos paralelos, o arquiteto constrói uma praça virada a sul protegida por 'brise-soleils', com grande efeito plástico".

"Nestes edifícios, ultrapassa-se o mero cumprimento do programa, construindo-se cidade", sublinha o júri, na comunicação lida pelo seu presidente, Francisco Pinto Balsemão, no anúncio do vencedor do Prémio Pessoa, hoje realizada em Seteais, Sintra.

"A sua arquitetura é moderna, abstrata e contemporânea, mas parte de uma recolha de formas e materiais vernaculares portugueses, que integra de um modo exemplar. A construção de formas e volumes é feita com um caráter inovador, por subtração de matéria, esculpindo vazios, contrariando assim o sentido clássico do projetar. Na obra doméstica e na recuperação de edifício é raro provocar ruturas, mas não cede a mimetismos fáceis, conseguindo estabelecer uma continuidade entre passado e atualidade", afirma o júri.

Manuel Aires Mateus nasceu em Lisboa, em 1963, e licenciou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade Técnica de Lisboa, em 1986, tendo trabalhado com o arquiteto Gonçalo Byrne, entre 1983 e 1988.

Foi professor na Graduate Scholl of Desing de Harvard, nos Estados Unidos, e, atualmente, leciona na Accademia di Architettura de Mendrisio, na Suíça, onde desenvolve uma atividade pedagógica cujos resultados integra nos seus projetos.

O júri foi presidido por Francisco Pinto Balsemão e constituído por Emídio Rui Vilar, Ana Pinho, António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião e Rui Vieira Nery.

O Prémio Pessoa, com o valor pecuniário de 60.000 euros, é atribuído anualmente a um português, que, durante esse período, e na sequência de uma atividade anterior, tiver sido protagonista de uma intervenção particularmente relevante e inovadora na vida artística, literária ou científica do país.

O Prémio é uma iniciativa do semanário Expresso, e foi atribuído pela primeira vez em 1987, tendo sido distinguido o historiador José Mattoso.

Ao longo das 31 edições do galardão foram premiadas 33 personalidades portuguesas, entre as quais a pintora Menez, o ator e encenador Luís Miguel Cintra, o arquiteto Eduardo Souto de Moura, a pianista Maria João Pires, o eclesiástico Manuel Clemente e a cientista Maria Manuel Mota.

Em 1992, o Prémio Pessoa foi atribuído aos neurocientistas António e Hanna Damásio e, em 1999, ao escritor Manuel Alegre e ao fotógrafo José Manuel Rodrigues.

Segundo a organização, o Prémio Pessoa tem por objetivo "representar uma nova atitude, um novo gesto, no reconhecimento contemporâneo das intervenções culturais e científicas produzidas por portugueses".

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