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"Império Marítimo Português deu início à globalização", diz ministro

O ministro da Cultura realçou hoje, em Moscovo, que "o Império Marítimo Português inaugurou a Era da Economia-Mundo" e "deu início à primeira etapa do que chamamos hoje Globalização".

"Império Marítimo Português deu início à globalização", diz ministro
Notícias ao Minuto

17:50 - 07/12/17 por Lusa

País Castro Mendes

Luís Filipe de Castro Mendes falava na capital russa, na inauguração da exposição "Senhores do Oceano -- Tesouros do Império Português do século XVI ao XVIII", no Museu do Kremlin, que realçou como de "particular simbolismo (...) porque nos encontramos no coração histórico da Civilização Russa -- o Kremlin ou Cidadela de Moscovo".

A exposição inclui diversas peças, algumas classificadas como tesouros nacionais, provenientes de diferentes museus nacionais, como o Nacional de Arte Antiga, ou os museus da Fundação Oriente e o da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, entre outros, assim como do Palácio Nacional de Sintra e da Biblioteca Nacional.

Da mostra fazem parte peças como um cofre indiano em prata encastrada com madrepérola, um contador do Sri Lanka coberto de marfim, e uma taça goesa em prata e casca de coco - todas do século XVII, ou um exemplar do Tratado de Tordesilhas, pertencente ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo, salientado pelo ministro no seu discurso.

"Esta exposição não só mostra a construção do Império Marítimo Português e a sua importância para a História do Mundo como documenta extensamente o impacto da chegada dos portugueses, portadores de uma Cultura Europeia, contornando a África, às longínquas paragens da Índia, da China e do Japão ou do Brasil, e, principalmente, o diálogo cultural que se estabeleceu com as culturas locais através de magníficas obras de arte que espelham a riqueza do encontro de materiais, de técnicas e de temas em que se fundem e misturam conceitos ocidentais e das civilizações contactadas", afirmou Castro Mendes.

O ministro realçou que, no "plano da História da Economia Mundial, o Império Marítimo Português inaugurou a Era da Economia-Mundo, sendo o primeiro da Era Moderna e o que deu início à primeira etapa do que chamamos hoje Globalização, proporcionando uma acentuada troca de produtos, com a consequente revolução nos preços e a aceleração da acumulação capitalista, a viagem e troca de exemplares de fauna e de flora entre continentes, com importantes consequências para a história da alimentação, e até de populações, iniciando uma enorme importação de mão-de-obra escrava de África para as Américas, que outros Impérios europeus igualmente prosseguiram".

Uma "epopeia [que] soube criar um império pluricontinental marcado pela miscigenação de povos e de culturas, que se estendeu de África e da América à Ásia e à Oceânia", afirmou o governante, referindo a consequente disseminação da Língua Portuguesa, "hoje a sexta mais falada no mundo".

A exposição divide-se em duas secções, a primeira mostra a Cultura e História de Portugal, com o foco na corte, na Igreja, no poderio naval, exibindo retratos de exploradores que desempenharam um papel importante nos Descobrimentos, assim como joalharia, moedas, objetos de cerimónia, armas, mapas, instrumentos de navegação e livros dos séculos XVI e XVII.

A segunda secção apresenta peças criadas em diferentes países sob a influência da cultura portuguesa e da vida quotidiana nesses territórios.

A exposição abre ao público na sexta-feira e fica patente até 25 de fevereiro próximo.

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