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Refugiado em greve de fome "até morrer" se Portugal lhe negar direitos

Saman Ali é o último refugiado yazidi a viver em Portugal. Exige que lhe seja atribuído o estatuto de refugiado, bem como a autorização de residência permanente e proteção internacional. Afirma que vai "continuar [com a greve de fome] até morrer", caso a situação não seja resolvida. Autorização de residência provisória caducou no dia 15 de novembro, mas o MAI garante que já foi renovada.

Refugiado em greve de fome "até morrer" se Portugal lhe negar direitos
Notícias ao Minuto

00:00 - 28/11/17 por Pedro Bastos Reis 

País Saman Ali

Saman Ali nasceu em Sinjar, no Iraque. É yazidi, uma das minorias mais perseguidas pelo autodesignado Estado Islâmico. Foi precisamente para fugir ao grupo jihadista que Saman veio para Portugal, em março deste ano, juntamente com vários membros da comunidade yazidi.

Este refugiado, de 34 anos, esteve durante um ano na Grécia. Chegou a Portugal, mais precisamente a Guimarães, no âmbito do Programa Europeu de Realocação. Do grupo de 24 yazidis que chegaram ao nosso país, Saman Ali foi o único que cá ficou.

“No Iraque, era professor universitário, mas fui obrigado a deixar o meu país a 20 janeiro 2016 por causa da minha religião, das minhas opiniões e das minhas atividades. A minha vida estava em grande perigo”, começa por contar numa carta enviada ao Notícias ao Minuto, que também foi endereçada a outros órgãos de comunicação social, bem como ao Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), ao Conselho Português para os Refugiados (CPR), à Câmara Municipal de Guimarães e à Organização Internacional Para as Migrações (OIM).

Saman Ali viu a sua autorização de residência provisória caducar, no dia 15 do corrente mês. Por esse motivo, ficou ilegal no país e, para reivindicar os seus direitos, decidiu começar uma greve de fome esta segunda-feira.

“Hoje, 27 de novembro 2017, eu comecei a greve de fome e continuarei até receber os meus direitos simples que é o meu estatuto de refugiado, residência permanente, 5 anos de proteção internacional que estou pedindo ou eu estarei morto na minha greve de fome”, escreveu Ali, que afirma ainda estar a passar por graves problemas psicológicos. “Os relatórios do meu médico psiquiatra confirmam que, devido à minha situação em Portugal, preciso de ajuda de emergência para o meu pedido”, especifica.

O refugiado yazidi, o primeiro a chegar a Portugal e o único a permanecer no país, tem recorrido às redes sociais para relatar a situação que tem vivido. Na mesma rede social, chegou mesmo a partilhar a carta do seu médico psiquiatra, que lhe passou um documento a confirmar a sua “sintomatologia depressivo-ansiosa secundária às vivências traumáticas no Iraque”.

MAI garante que autorização foi renovada

Também no Facebook, Saman Ali afirmou que vai continuar com a greve de fome “até morrer” e que, caso não lhe garantam os seus “direitos simples”, quer ser “símbolo do direito humano e da liberdade em Portugal”.

Contactado pelo Notícias ao Minuto, o Ministério da Administração Interna confirma que a autorização de residência provisória de Saman Ali caducou no passado dia 15 de novembro. No entanto, garante que o documento já foi renovado.

“O cidadão foi titular de uma autorização de residência provisória até 15-11-2017, tendo este documento já sido renovado”, lê-se na nota enviada à nossa redação.

O Ministério da Administração Interna afirma ainda que o “respetivo processo de asilo está em fase de conclusão e prestes a ser tomada a decisão final quanto à concessão do estatuto de proteção internacional”, sendo que com a “autorização de residência provisória, o cidadão tem acesso ao mercado de trabalho, à formação profissional, acesso à saúde e a um outro conjunto de direitos que a lei prevê”.

Dois meses depois de chegar a Portugal, já os restantes yazidis tinham abandonado o país rumo a outros destinos na Europa, Saman Ali escreveu uma carta aberta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pedindo para que o seu processo de asilo fosse acelerado. "Quero muito contribuir e continuar com os meus estudos, que me permitirão trabalhar, uma vez que com este estatuto de asilo, tal não me é permitido", fazia sobressair, então.

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