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Aposta na prevenção dos incêndios "não é politicamente atrativa"

O especialista Filipe Duarte Santos defende que um dos fatores que contribui para a situação de fogos florestais em Portugal é apostar-se mais no combate que na prevenção, a qual "não tem visibilidade", não sendo "politicamente muito atrativa".

Aposta na prevenção dos incêndios "não é politicamente atrativa"
Notícias ao Minuto

06:06 - 12/11/17 por Lusa

País Filipe Duarte Santos

Uma das razões para a situação atual dos incêndios florestais, "e talvez a mais importante, é que Portugal tem apostado muito mais no combate aos incêndios do que na prevenção", disse em entrevista à agência Lusa o professor jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

"Nas regiões em que há torres de vigilância, pessoas que vigiam, o número de incêndios, em média é menor [do que] naquelas em que não há vigilância, não há sapadores" e em que "não se investe na prevenção", apontou.

A prevenção "não tem uma visibilidade muito grande, politicamente não é uma coisa muito atrativa, não aparece com facilidade nas televisões", criticou o especialista em alterações climáticas.

"Não havendo essa prevenção, o combate torna-se muito mais difícil", reforçou.

Na lista apontada de outros fatores a contribuir para os incêndios florestais, está o número elevado de ignições, as alterações climáticas ou o aumento do risco meteorológico de incêndio florestal, a perda da ligação entre agricultura e floresta ou a desertificação.

Para Filipe Duarte Santos, há um conjunto de ações que devem avançar desde já, para evitar as consequências nefastas dos incêndios, principalmente quando começar a chover.

"A curto prazo, há outros países, como Espanha, que têm já a rotina, digamos assim, de, quando há incêndios florestais, proteger os solos e os recursos hídricos, ou seja, as águas das ribeiras e dos rios", explicou.

E especificou que Portugal "não tem de uma forma organizada" esse tipo de ação, ao nível das entidades da administração central, ou mesmo local.

Agora as pessoas "começam a estar mais conscientes do problema localmente, e em certos sítios, têm-se organizado e voluntariamente feito um trabalho extraordinário" para tentar evitar que as cinzas, com a água da chuva, sobretudo se for muito forte, sejam transportadas para os rios, referiu o especialista que também é presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS).

Os especialistas preocupam-se nomeadamente com o problema da erosão da camada superficial do solo, a mais rica e que demorou dezenas de anos a formar-se, correndo o risco de ser arrastada nas enxurradas.

No entanto, existem formas de lidar com esta situação e alguns métodos e tecnologias já são utilizados.

Uma das soluções, explica Filipe Duarte Santos, usa detritos sobretudo orgânicos, como bocados de madeira triturados ou palha.

Estas substâncias são espalhadas nas zonas que têm cinzas para que a água tenha mais probabilidade de se infiltrar na terra.

Também podem ser feitas valas, sistemas que evitem que a água deslize nas encostas, sobretudo nas zonas com grandes declives, "um trabalho que tem um certo custo, não só material, como humano", apontou o professor.

Este ano, Portugal registou dois conjuntos de grandes incêndios, sendo o pior o de 15 de outubro, dia em que começaram centenas de fogos que consumiram 190.090 hectares de floresta, quase metade (45%) da área ardida desde janeiro, provocaram 45 mortos, cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais em estado grave, obrigando ainda à evacuação de localidades e ao realojamento de populações.

Além dos 43.191 hectares de floresta consumida pelas chamas, o fogo em Oliveira do Hospital provocou ainda 12 mortos, sendo o concelho com maior número vítimas mortais.

Outra situação grave de incêndios, em que o fogo começou a 17 de junho em Pedrógão Grande causado, causou 64 mortos e mais de 250 feridos.

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