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Falta conhecimento técnico no sistema de defesa florestal

O Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios assenta em grande parte no saber empírico, levando a que muitas das decisões tomadas no terreno tenham por base "perceções normalmente questionáveis", necessitando de conhecimento técnico, segundo a comissão técnica independente.

Falta conhecimento técnico no sistema de defesa florestal
Notícias ao Minuto

15:51 - 12/10/17 por Lusa

País Relatório

"O Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios carece de uma forte incorporação de conhecimento. Muitas das decisões são tomadas apenas com base em conhecimento empírico e baseadas em perceções normalmente questionáveis", refere o relatório da comissão técnica independente designada para analisar os fogos de junho na região Centro, hoje entregue na Assembleia da República e tornado público.

Assim, os peritos desta comissão defendem que a integração do conhecimento técnico com a ação "deverá ser uma trave mestra" na organização futura do sistema.

"O aproveitamento das melhores condições para o combate, a fluidez da informação técnica do IPMA [Instituto Português do Mar e da Atmosfera], a capacidade de interpretar a complexidade das situações, a integração de especialistas de análise do fogo, assim como a intervenção de operacionais profissionais especializados convergem num fluxo onde o conhecimento deverá ser o fator privilegiado de conjugação", sublinha o relatório.

O documento acrescenta que os mecanismos de simulação e de apoio à decisão "estão em estado incipiente e não têm permitido dar suporte qualificado às intervenções operacionais".

Ainda no domínio do conhecimento, os autores do relatório frisam que "é fundamental" que a capacidade e os recursos da investigação científica instalados em instituições nacionais, designadamente em universidades e nos laboratórios de Estado, seja confrontada, mobilizada, utilizada e integrada em programas de investigação aplicada que associem empresas, associações, forças operacionais profissionais e centros de investigação.

"O tradicional desajustamento entre a investigação e a solução concreta das problemáticas nacionais deve, também neste setor, ser ultrapassado, garantindo uma crescente incorporação do conhecimento nessas problemáticas", salienta o relatório.

Domínios como a gestão do fogo, incluindo o comportamento de fogos extremos, os modelos de ordenamento e de silvicultura preventiva, os instrumentos e aplicações de apoio à decisão, e os projetos na área da meteorologia são alguns dos aspetos que devem corresponder a linhas de investigação a estruturar no futuro, é referido.

"É neste quadro que se avança com a proposta de criação de um Laboratório Colaborativo, impulsionado por empresas e outras entidades florestais, permitindo estruturar um programa especial dedicado, integrando linhas de investigação aplicada e proporcionando soluções adequadas aos problemas relacionados com o SNDFCI [Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios]", defendem os autores do relatório.

O documento hoje entregue no parlamento analisa os fogos ocorridos entre 17 e 24 de junho nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Penela, Oleiros, Sertã, Góis e Pampilhosa da Serra.

O fogo que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho só foi extinto uma semana depois, tal como o incêndio que teve início em Góis (distrito de Coimbra). Os dois fogos, que consumiram perto de 50 mil hectares em conjunto, mobilizaram mais de mil operacionais no combate às chamas.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, tendo alastrado a vários municípios vizinhos, causou 64 mortos e mais de 200 feridos.

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