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Jornal espanhol pergunta: "Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?"

El Mundo fala no Cartel do Fogo e em doações desaparecidas em Portugal no seguimento dos incêndios.

Jornal espanhol pergunta: "Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?"
Notícias ao Minuto

19:15 - 15/09/17 por Goreti Pera

País El Mundo

A pergunta é título de um artigo publicado esta sexta-feira no El Mundo: “Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?”. Nele, o jornal espanhol refere-se ao Cartel do Fogo, que se dedica à manipulação de concursos de meios aéreos de combate aos incêndios, aos fundos solidários que diz terem desaparecidos e à industria madeireira, que beneficia agora da redução dos preços da madeira.

“Este ano foi um dos piores em termos de incêndios em Portugal. No passado junho, um devastador incêndio em Pedrógão Grande tirou a vida a 64 pessoas. Os danos materiais e paisagísticos também são notáveis”, começa por explicar o El Mundo, que indica que, “este ano, arderam perto de 214 mil hectares de terreno, o quádruplo do que ardeu em Espanha no mesmo período”.

O jornalista Aitor Hernández-Morales parte depois para a explicação: “Entre o caos, há também quem tire partido fazendo dinheiro com o desastre. Manipulam-se concursos públicos, desviam-se fundos solidários e, em última instância, aproveita-se a situação para aplicar preços abusivos e fazer negócio com a miséria dos outros”.

Dando corpo a esta ideia, o autor escreve que “Portugal recorre ao setor provado para ter apoio aéreo de combate ao fogo” e que “o problema surge quando as empresas manipulam os concursos públicos, delito que a Polícia Judiciária portuguesa acredita ser cometido por um ramo português do conhecido Cartel do Fogo espanhol”.

Segundo fontes judiciais, lê-se ainda no El Mundo, “em Portugal, o cartel contou com um coordenador nativo que, ao longo dos últimos 12 anos, pode ter manipulado concursos no valor de 821 milhões de euros”.

No mesmo artigo, e tentando responder à pergunta inicial, o jornal espanhol admite que há “doações desaparecidas”, com base em testemunhos como o do presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves. “Dois meses mais tarde, os residentes queixavam-se de que a ajuda monetária entrava a conta-gotas e que estava a ser gerida de forma desorganizada”.

O último tópico de resposta à questão “Quem ganha dinheiro quando arde em Portugal?” incide sobre a indústria da madeira. Sobre esta matéria, o El Mundo reproduz declarações de um proprietário florestal que se diz lesado com o incêndio e que aponta o dedo aos produtores madeireiros.

Pelos mil pinheiros que detém na zona Centro de Portugal, Domingo Luís receberia entre 20 e 25 mil euros. Mas as chamas consumiram o terreno e o seu valor é agora muito inferior, de tal maneira que o produtor acusa a indústria madeireira de aproveitamento. “Pagavam 37 euros por cada tonelada de madeira saudável, agora só pagam 28 euros pela queimada. Sabem que não temos outro remédio senão vendê-la”, atira.

A fechar o artigo, o jornal espanhol dá voz ao presidente da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA). “O Governo não se interessou por regular o setor. Há um claro negócio em provocar estes fogos. E muita gente – nomeadamente os que compram madeira a preços reduzidos – ganha muito com eles. Há incêndios em Portugal porque alguns ganham dinheiro com eles”, assegura Pedro Serra Ramos.

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