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Bombeiros profissionais vs. voluntários: "No terreno somos todos iguais"

Numa época em que os incêndios começam a dar alguns sinais de tréguas aos soldados da paz, o Notícias ao Minuto foi perceber qual o sentimento dos bombeiros voluntários e profissionais em relação ao tratamento dado a cada um.

Bombeiros profissionais vs. voluntários: "No terreno somos todos iguais"
Notícias ao Minuto

08:30 - 11/09/17 por Inês André de Figueiredo

País Incêndios

No Dia Nacional do Bombeiro Profissional, comemorado em Portugal desde 2008 para homenagear os colegas de profissão que perderam a vida no dia 11 de Setembro de 2001, dia do atentado às Torres Gémeas, o Notícias ao Minuto foi falar com dois jovens bombeiros para perceber se sentem diferenças entre os que são profissionais e os que são voluntários.

David Nogueira, de 24 anos, entrou nos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos aos 18 anos e não mais deixou os soldados da paz. Seis anos depois, em janeiro de 2017, passou de bombeiro voluntário a profissional e a dedicar-se totalmente aos bombeiros.

Por outro lado, Rafael Matos tem 23 anos e faz parte da corporação dos Bombeiros Voluntários do Juncal desde agosto de 2012. Além do seu trabalho em prol dos outros, o jovem é técnico de laboratório.

Na hora de correr para o combate ao fogo, as distinções são esbatidas. “Enquanto bombeiro, o meu trabalho é equivalente ao dos outros colegas bombeiros. O objetivo é, em primeiro, socorrer vidas, em segundo, assegurar os bens e, depois, o ambiente”, começa por dizer David.

Enquanto bombeiro voluntário, cabe-me a mim ser profissional no que faço. E sentir-me digno e orgulhoso ao envergar a minha farda”, assegura o bombeiro voluntário Rafael Matos, dando a entender que o facto de não ser profissional não muda a sua forma de olhar para o trabalho dos bombeiros.

Vestir o equipamento (sem distinções)

Na hora de comparar o equipamento de proteção individual (EPI), ambos concordam que se trata de algo “adequado”, “seguro” e “igual para todos os elementos”. Em causa estão “umas calças ignífugas e um casaco ignífugo, ambos com faixas refletoras, botas com o devido acabamento para o efeito, luvas, capacete com óculos de proteção e uma cógula”.

“Não há a necessidade de adquirir fatos”, mas muitas vezes estes homens fazem investimentos pessoais para terem mais opções no momento de combater os fogos. “Eu quis ter um par de botas secundário, mas foi uma opção pessoal, e estamos a falar de um par de botas que é bom e me custou, na altura, 300 euros”, recorda Rafael Matos.

No Teatro de Operações nem tudo é fácil, mas a comida é "boa"

No Teatro de Operações (TO), que tanto se ouve falar principalmente em incêndios de grandes dimensões, a “segurança” é a palavra de ordem. “É preferível arder mais 50 metros de mato do que pôr em risco a nossa vida e dos colegas”, realça David.

Mas “a consciência de que as condições por vezes não são as melhores” também existe, como recorda Rafael, referindo que a logística e os recursos são grandes e que nem sempre a organização é fácil. “Não existem sempre horas certas para alimentação. Mas regra geral cumpre-se. Há pequeno almoço, reforço, almoço, reforço, jantar e reforço. Entenda-se que um reforço é um lanche”, explica.

E apesar de nem tudo ser perfeito, ambos os bombeiros concordam que a comida fornecida no combate aos incêndios é “considerada boa”.

“Por vezes a logística envolvente não é fácil e temos de entender a parte das outras pessoas. Porque muitas vezes, as pessoas movem mundos e fundos para que não nos falte nada, mas existem sempre colegas bombeiros a queixarem-se. Pessoalmente, não passei fome em nenhum Teatro de Operações onde estive, até a data, nem nunca me faltou nada (comida ou água). Sabemos perfeitamente que não é às horas certas, e às vezes até vem tarde, mas vem, e para mim é o que importa”, sublinha o bombeiro do Juncal.

Opinião idêntica tem David Nogueira, frisando mesmo que “muitas vezes sobra comida”. “É normal que não possamos ter um bitoque, um bacalhau ou um bife que encontramos no restaurante! Nos incêndios a comida feita é em grande quantidade e por vezes não sai com a qualidade desejada , mas a comida não é má, considero-a sempre boa”, acrescenta.

Na hora do descanso…

… tudo é “uma incógnita”. “No combate, a maior parte das vezes não temos a perceção do tempo e das horas, pois vamos com uma missão para cumprir, temos um objetivo. No fim dessa missão concluída, sim, descansamos. Não há tempo certo. Pois, por vezes, somos deslocados de um TO para outro. A maior parte das vezes descansa-se quando se vai proceder à alimentação, no caminho, ou então, quando já se está a efetuar a dita vigilância e rescaldo. Entre equipas vamo-nos rendendo e descansando mais um pouco”, explica Rafael Matos.

Por outro lado, o bombeiro de Figueiró dos Vinhos garante que “o tempo na frente de fogo depende do estado físico e psíquico de cada bombeiro”, quando alguém não consegue estar mais no local, “solicita rendição”.

E quanto à diferenciação no terreno...

Até hoje nunca presenciei diferenças entre bombeiros. No teatro de operações não há bombeiros voluntários, nem há profissionais… somos todos bombeiros, nem menos, nem mais”, diz David Nogueira.

Exatamente a mesma opinião tem o bombeiro voluntário ouvido pelo Notícias ao Minuto: “No terreno somos todos iguais, pois vamos todos com o mesmo objetivo e com a mesma missão. Somos todos colegas, fazemos todos o mesmo”, conclui.

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