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São Fiel: A história do colégio revolucionário, agora destruído pelo fogo

No sopé da Serra da Gardunha ergue-se o colégio de São Fiel. Com um passado distinto, o edifício histórico está agora em ruínas, alvo de um incêndio florestal após anos de abandono.

São Fiel: A história do colégio revolucionário, agora destruído pelo fogo
Notícias ao Minuto

07:41 - 19/08/17 por Carolina Rico

País Louriçal do Campo

O Colégio de São Fiel, na aldeia de Louriçal do Campo, foi esta semana consumido pelas chamas que lavraram o distrito de Castelo Branco. Chegou a ser uma das mais importantes instituições de ensino no país e por ele passaram vários alunos de relevo, incluindo um prémio Nobel.

Foi fundado em 1852 por Frei Agostinho da Anunciação com o objetivo de acolher e educar crianças órfãs e “seis anos depois da fundação ardeu completamente, tal como na última terça-feira”, conta ao Notícias ao Minuto o investigador albicastrense Leonel Azevedo.

O autor do livro 'De Seminário para meninos órfãos de ambos os sexos a Colégio de S. Fiel (1852-1910)' passou os últimos 39 meses a estudar a história deste edifício histórico e vai em 2018 lançar o segundo volume.

Quatro anos depois do grande incêndio, o colégio reabriu. “Frei Agostinho não baixou os braços e ganhou forças e capitais para o reerguer”, conta Leonel Azevedo. Rapidamente se transformou numa referência incontornável do ensino em Portugal.

A partir de 1863, o ensino ministrado no colégio passa a ser tutelado por jesuítas em parceria com um corpo docente ainda sob direção de Frei Agostinho, à distância. Perde parcialmente a função de orfanato e fazem-se várias mudanças.

Através de uma venda simbólica, poucos meses antes da morte de Frei Agostinho, em 1873, o colégio passa oficialmente para as mãos dos jesuítas.

Em fins do século XIX, era “o estabelecimento de ensino mais requisitado e o que tinha mais alunos em Portugal, para onde iam estudar os filhos da elite e grande parte da nobreza” ou filhos de burgueses à procura de “subir na vida”.

Pelo Colégio de São Fiel passaram nomes como o prémio Nobel da Medicina Egas Moniz, o ator Robles Monteiro e o médico Anastácio Gonçalves, além de escritores, poetas e investigadores e historiadores.

Para lá de se destacar pelo ensino vanguardista, o colégio apostava numa educação experimental e associada à investigação, ainda que não excluísse as práticas religiosas várias vezes ao dia.

Tinha grandes laboratórios, um museu, um observatório meteorológico, realizava expedições científicas (o que chamamos hoje de visitas de estudo), aulas de música e ginástica. Foi também casa da revista cientifica Brotéria, ainda hoje editada.

Com a implantação da República, S. Fiel foi, nas palavras do investigador, “roubado” à Companhia de Jesus e passou para a alçada do Estado, tornando-se reformatório para menores delinquentes. Mais tarde foi gerido pelo Instituto de Reinserção Social como centro educativo.

Atualmente, o edifício estava fechado e abandonado, mas fazia parte do projeto Revive, prevendo-se a sua concessão a privados para posterior recuperação.

Leonel Azevedo gostaria, mas "não acredita", que, tal como fez Frei Agostinho, o Estado, que tem “culpas no cartório por esta desgraça”, permita que o colégio renasça das cinzas.

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