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Interrail: A grande aventura continua 45 anos depois

Fazer um Interrail continua a ser uma oportunidade incrível de descobrir a Europa mas também representa uma experiência de auto-descoberta e amadurecimento. Atualmente enfrenta a concorrência com as viagens low cost.

Notícias ao Minuto

07:00 - 13/08/17 por Notícias Ao Minuto

País Viagem

Criado há 45 anos, o Interrail mudou, expandiu-se, chegando agora a mais países do que acontecia na sua génese. A Europa cresceu e também mudou ao mesmo tempo. Circular tornou-se mais fácil com a queda da Cortina de Ferro soviética. A Europa abriu-se. Mais recentemente voltou a fechar-se um pouco sob o pretexto da crise dos refugiados.

Mas o Interrail mantém a sua aura de descoberta, de aventura, de experiência imperdível. Viajar de comboio pela Europa continua a representar um desafio, a ser uma forma prática e económica de conhecer vários países de uma assentada. Quebra fronteiras, aproxima os viajantes de outras culturas e é também uma jornada de auto-descoberta, de crescimento.

Por tudo isto e muito mais, o Interrail continua a ser bastante popular e a captar a imaginação de muitos jovens – e não só – que durante anos traçam o percurso e definem os destinos a visitar. Foi esse o caso de Sofia Pereira. Fez o Interrail em 2006, quando tinha 19 anos. A ideia de fazer um Interrail já tinha sido muitas vezes abordada com um grupo de cinco amigos mas sem que tivessem "estabelecido qualquer data".

Quando um desses amigos ganhou num passatempo da CP um bilhete de Interrail, o grupo decidiu avançar. "Ele ganhou o bilhete em junho/julho e nós viajámos em agosto", diz Sofia. A escolha recaiu num passe de duas zonas de 21 dias contínuo (corresponderia ao atual Interrail Global Pass contínuo de 22 dias), um passe que lhes permitiu viajar por vários países da Europa Central e do Norte.

"Foi uma escolha que teve a ver, por estarmos em Portugal, com países que estão mais próximos do nosso e depois com países que eram mais populares e que tínhamos mais curiosidade de conhecer", afirma Sofia. Também aproveitaram para passar por algumas cidades onde tinham familiares. Acabaram por poupar algum dinheiro em alojamento dessa forma.

A escolha das cidades foi dividida pelo grupo. Visitaram cidades como Paris, Berlim, Bruxelas, Viena, Salzburgo, Copenhaga ou Amesterdão, mas também foram a cidades menos conhecidas como Skagen, na Dinamarca e Schwäbisch Hall, na Alemanha. O grupo decidiu sair nas estações de algumas dessas cidades e teve boas surpresas.

"Acabámos por ir a sítios que talvez não fossem aqueles que tínhamos imaginado. O facto de nos termos de deslocar para zonas menos conhecidas dos países, para as casas das pessoas que nos acolheram, obrigou-nos a passar por sítios que não tinham grande destaque no mapa mas que se revelaram zonas interessantes".

Margarida Arcanjo, 30 anos, também decidiu apanhar o comboio da aventura que é o Interrail. Fê-lo no ano passado, com duas amigas.

A vontade de fazer o Interrail já era antiga, mas "por uma questão de dinheiro e por ser difícil conciliar férias com amigos, acabei por só conseguir fazer o Interrail em 2016", refere.

Escolheram fazer a viagem por um só país durante duas semanas, o Interrail One Country Pass, e optaram por percorrer Itália, o destino mais popular para quem decide fazer o Interrail apenas num país, segundo dados fornecidos pelo Eurail. Estiveram em Roma, Veneza, Milão, Nápoles e Florença, entre outras cidades.

Sofia fez o Interrail apenas de comboio mas Margarida aproveitou a maior oferta de voos low cost e fez as viagens de ida e volta para Itália de avião. Uma opção que no caso de Portugal faz sentido, já que a geografia não favorece o viajante português e pode obrigar a 'gastar' algumas viagens do Interrail para chegar à Europa Central, por exemplo.

Foi uma experiência inesquecível e que me permitiu ter uma visão da Europa muito diferente - SofiaSofia e Margarida fazem parte de uma geração que habitualmente compra as suas viagens e trata das reservas online. Uma forma diferente de abordar o Interrail, quando comparada com a de gerações mais antigas de viajantes do Interrail que não tinham acesso na palma da mão a toda a informação que desejassem sobre o local para onde iam.

Sofia e os amigos não fizeram tantas reservas antes de viajarem. Acabaram por fazer uma viagem mais espontânea. "Em alguns comboios tínhamos de fazer uma pré-reserva mas a maioria das reservas foram feitas no momento", diz. O que nem sempre correu da melhor forma. "Perdemos comboios, passámos uma noite numa estação no meio do nada", conta. Já Margarida revela que fez grande parte das reservas, incluindo o alojamento, antes de ir para Itália.

Tanto Sofia como Margarida concordam que é uma viagem cansativa, mas adoraram a experiência e gostavam de voltar a repeti-la. "Foi muito melhor do que poderia imaginar e muito mais cansativo do que poderia imaginar. Foi difícil gerir o orçamento. No geral, foi uma experiência inesquecível e que me permitiu ter uma visão da Europa muito diferente", comenta Sofia. Apesar das saudades de casa, Margarida "estava pronta para percorrer mais uns quantos países ao invés de regressar a Portugal. Depois de uma viagem desafiante, extenuante e aliciante como esta, custou-me voltar à normalidade", admite.

Com muitas histórias e percalços para contar, Sofia refere que, de forma a poupar dinheiro, o grupo tentava dormir nos comboios durante as viagens noturnas. Mas por vezes o cansaço sobrepôs-se durante o dia e descobriram que as igrejas eram bons locais para dormir. "Era um sítio ótimo, era fresco, havia silêncio e sentíamo-nos seguros", destaca. Mas acrescenta que nunca dormiram "na hora da missa".

Concorrência aumentou nos últimos anos

De acordo com os dados do Eurail, entre 2005 e 2016 a venda de passes de Interrail mais do que duplicou, passando de 100 mil passes vendidos para 258 mil. Os jovens com menos de 26 anos representaram mais de 70% das vendas. Em Portugal foram vendidos no ano passado 1.850 passes, segundo os dados da CP.

Está intrinsecamente ligado ao inesperado, ao imprevisível, ao 'desenrasca-te'. E é isso que nos faz mais maduros, mais dispostos a mudanças, mais capazes de ultrapassar problemas e dificuldades no nosso dia a dia - MargaridaMas apesar destes dados animadores, a concorrência aumentou bastante nos últimos anos. A expansão das companhias aéreas low cost oferece uma alternativa para viajar a custos mais baixos e também já há empresas ferroviárias, como a Eurostar, a baixar os preços dos bilhetes, assumindo-se como uma alternativa em quase tudo semelhante à que o Interrail oferece.

Mas para os puritanos, para quem quer ter a opção de escolher para que cidade vai viajar a seguir no momento, o Interrail continua a ser a melhor opção.

Sofia e Margarida recomendam o Interrail como uma boa forma de viajar e também como experiência de vida. "É uma das formas ideais para viajar para quem não tem um orçamento muito grande e quer conhecer muitos sítios e ter esta aventura. Do ponto de vista pessoal, foi muito educativo. Por vezes não tivemos as condições que esperávamos. Recomendaria todas as pessoas a fazerem um Interrail, pelo menos uma vez na vida", diz Sofia.

Margarida partilha o que aprendeu com o Interrail. "Está intrinsecamente ligado ao inesperado, ao imprevisível, ao 'desenrasca-te'. E é isso que nos faz mais maduros, mais dispostos a mudanças, mais capazes de ultrapassar problemas e dificuldades no nosso dia a dia".

Chegou a falar-se na possibilidade de a União Europeia oferecer um passe de Interrail a todos os jovens europeus quando fizessem 18 anos. A proposta foi rejeitada... para já. Muitos veem nessa iniciativa uma forma de combater o euroceticismo, dando aos jovens a oportunidade de conhecerem outros países da Europa, outras culturas. Numa Europa onde se constroem cada vez mais muros, percebe-se esta ideia.

Mas com ou sem bilhetes oferecidos, parece certo que a aventura do Interrail vai prosseguir. Afinal, o Interrail não permite apenas conhecer outros países, permite um auto-conhecimento mais profundo a quem o faz. É uma história (ou conjunto delas) para contar o resto da vida.

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