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Nesta escola, os alunos aprendem com iPads e Minecraft e andam descalços

Ensinar com Minecraft? Aprender na 4.ª classe a trabalhar com iPads? Ter tardes livres para pensar? Estes são alguns dos métodos de ensino que o PaRK International School utiliza na preparação dos seus atuais 990 alunos para o “mundo”.

Nesta escola, os alunos aprendem com iPads e Minecraft e andam descalços

“O melhor da escola são os projetos”. Foi desta forma que fomos recebidos pelos alunos do PaRK International School, no Restelo, em Lisboa, o primeiro e único colégio em Portugal que leciona com conteúdos oficiais publicados no iTunes.

As salas de aula deste colégio são em tudo diferentes das tradicionais. Os alunos sentam-se em ilhas e trabalham em conjunto. Em algumas disciplinas, sim, estão sentados em fila virados para a professora. As paredes das salas e dos corredores estão repletas de trabalhos manuais que os alunos fizeram e os temas são variados.

Mas as aulas não são apenas dentro das salas. Quando visitámos esta escola, alguns alunos estavam no recreio, não a brincar, mas sim a aprender  – é uma forma de aproveitar o bom tempo e motivar os alunos. Os iPads e os computadores portáteis não ficam fechados dentro da sala. Acompanham os alunos que mexem felizes nos gadgets mostrando uns aos outros o que descobriram ao navegarem nas aplicações que são permitidas pelos professores.

“É muito divertido aprender assim”, diz uma menina enquanto segura uma cartolina com recortes sobre as Festas de Lisboa.

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Mariana tem 11 anos (quase 12) e frequenta o 6.º ano. Diz que gosta de “tudo” na escola, especialmente o facto de, em comparação com as amigas que frequentam o ensino público, os professores terem “mais tempo” para “dedicar” ao esclarecimento de dúvidas. O facto de não haver trabalhos de casa todos os dias também é um ponto a favor, garante.

Já Frederico, também de 11 anos, realça o método de ensino com os iPads. “É mais fácil fazer projetos e apresentações com o iPad do que com o computador. E é mais prático porque os professores conseguem ver e controlar aquilo que estamos a fazer no iPad”, explicou.

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Nesta escola, os alunos “aprendem tudo através de projetos, sendo que as salas estão agrupadas por ilhas”, tal como explicou Catarina Beck, diretora de Marketing e Comunicação do colégio.

A ideia nasceu quando a diretora do colégio, Bárbara Beck de Lancastre, fez um MBA numa universidade norte-americana. A sua ideia era a de inserir creches dentro das empresas para os filhos dos trabalhadores. A primeira creche a ser inaugurada foi no TagusPaRK, em Oeiras. Depois surgiu uma segunda na Assembleia da República, mas Bárbara logo percebeu que aquele não era o caminho.

Foi assim que nasceu o polo de Belém que, além de creche, era também jardim-de-infância aberto ao público. Quando chegou a hora de as crianças saírem para iniciarem o primeiro ano letivo, os pais “pediram” que o colégio alargasse horizontes. Depois do primeiro ciclo surgiu o segundo, e no terceiro próximo ano será inaugurado um novo polo em Alfragide que albergará os colégios de Belém, Restelo e Alfragide num só espaço que incluirá também o Ensino Secundário.

Quanto às novas instalações, a diretora garante que serão o mais simples possível. “Não vai ser uma escola em que se entre e se fique a achar que é uma nave espacial, porque isso não é o mundo real. Estes miúdos que estudam em escolas internacionais já vivem numa bolha, a escola não pode ser também uma bolha”, explicou Bárbara.

O que tem afinal o colégio de especial?

Tal como já referimos, os alunos são habituados desde cedo a trabalhar em projetos e em grupo, sendo que têm também de apresentar os resultados das suas investigações perante os colegas. Catarina Beck explicou que existem três conceitos que diferem o PaRK International School das outras instituições de ensino, mesmo as privadas.

“Temos o ‘My Time’. Neste projeto os alunos têm uma tarde livre por semana para se dedicarem a uma área que gostem – desporto, artes, cozinha biológica, entre outros. Depois temos o ‘Big Idea’. Mais uma vez, numa manhã ou tarde por semana, é dada aos alunos do 5º, 6º e 7º ano uma questão que eles têm de desenvolver por eles próprios, tendo sempre à sua disposição os professores. Por fim, temos o ‘Fellowship’ que é um projeto comunitário. Os miúdos, a partir do 5º ano, têm de ajudar dentro do colégio, na comunidade e a nível mundial. Neste último caso, todos os anos escolhemos uma causa e este ano vamos apoiar, com material escolar, a ‘Girl Raising’, uma organização que garante que as meninas de todo o mundo frequentem a escola”, enumerou a responsável.

No fundo, explica Catarina, a escola é “inovadora, não só por causa da tecnologia, mas também pela maneira como a teoria é colocada em prática”.

A teoria, essa é dada em inglês desde muito cedo. Dos três anos até ao 6º ano de escolaridade, os conteúdos são bilingues. As disciplinas de Português, Matemática e Estudo do Meio são dadas em português, mas tudo o resto, como Música, Educação Física, entre outras, são lecionadas em inglês.

“A partir do 5º ano há mais tempo em inglês e, a partir do 7º ano somos completamente internacionais e largamos o currículo do Ministério da Educação e aplicamos o do Cambridge. Ou seja, só lecionamos em português a disciplina de Língua Portuguesa”, explicou Catarina.

Ensinar com os iPads

O PaRK International School é o primeiro colégio em Portugal que tem conteúdos oficiais publicados no iTunes U que, no entender de Bárbara Beck de Lancastre, é uma “ferramenta que não tem limites, pois é dinâmica”.

A diretora do colégio entrega à escola a “responsabilidade de formar os miúdos para a vida” e “dar-lhes competências que os faça pensar, saber tomar decisões e serem autónomos”.

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“Não faz sentido hoje em dia as escolas não terem tecnologia”, atira Bárbara Beck de Lancastre, acrescentando que é preciso ensinar aos “miúdos” temas como a “literacia digital e o respeito necessário que se deve ter no ciberespaço”.

“A escola tem o dever de os ensinar a comportarem-se no ciberespaço. Não fazerem isto é o mesmo que um pai não ensinar os filhos a atravessarem a estrada na passadeira. É verdadeiramente perigoso”, considera.

Mas ensinar com recurso a iPads não é sinónimo de ausência total de livros, até porque o gadget “não é um substituto dos livros” e só chega aos alunos na 4ª classe. Até lá, as crianças têm os livros definidos pelo Ministério da Educação para estudar – exceto Estudo do Meio que é uma disciplina cuja sebenta é feita pelos professores e alunos – e mesmo depois, os estudantes têm as duas plataformas e podem escolher com qual das duas trabalham melhor.

O iPad funciona assim como um complemento que permite aos alunos interagirem com a matéria que estão a estudar, enquanto o livro é “muito limitativo” para eles.

Os gadgets da Apple são geridos por Kyriakos Koursaris que foi, inclusivamente, convidado para ser um Apple Professional Developer, ao mesmo tempo que o colégio foi selecionado para o programa Microsoft Innovative Educator Expert na sequência do trabalho realizado em Minecraft, pois os alunos aprendem a matéria também através de Minecraft – o especialista Kyriakos Koursaris explicará, numa entrevista ao Notícias ao Minuto que será publicada em breve, este e outros pormenores do ensino com iPads.

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