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Ex-gestora da Gebalis gastou 11.500 euros em refeições

A ex-administradora da Gebalis acusada de peculato e de administração danosa confirmou hoje em tribunal que pagou 11.530 euros em refeições com os cartões de crédito da empresa municipal de Lisboa, apesar de receber subsídio de alimentação.

Ex-gestora da Gebalis gastou 11.500 euros em refeições

Clara Costa justificou as dezenas de almoços e jantares, muitos em restaurantes dos mais conceituados e caros de Lisboa e arredores - alguns acima dos 300 euros, outros realizados aos fins de semana, férias ou feriados -, como sendo "reuniões de trabalho" e "ao serviço da Gebalis", responsável pela gestão dos bairros municipais.

Além disso, entre março de 2006 e outubro de 2007 - período em que esteve no cargo -, a ex-administradora assumiu que realizou 15 viagens ao estrangeiro, pagas também com os dois cartões de crédito da empresa, os quais, em conjunto, tinham um "plafond" mensal de 12.500 euros.

Clara Costa disse hoje ao coletivo de juízes da 5.ª Vara Criminal de Lisboa que recebia um ordenado base de 3.290 euros, mais 658 euros relativos a despesas de representação - considerado pelos arguidos como um complemento do vencimento -, ajudas de custo nas deslocações ao estrangeiro, subsídio de alimentação, carro de serviço, além dos dois cartões de crédito da empresa.

A ex-gestora, em conjunto com o ex-presidente da Gebalis Francisco Ribeiro e outro ex-administrador, Mário Peças, terá, alegadamente, feito despesas de cerca de 200 mil euros utilizando os cartões de crédito atribuídos pela empresa para adquirir objetos de usufruto pessoal - como bens de luxo, DVD, CD e livros -, refeições, prendas e viagens.

Segundo o Ministério Público, os três responsáveis terão gasto, entre 2006 e 2007, mais de 80 mil euros em viagens.

Em relação às deslocações ao estrangeiro - Londres, Belfast, Barcelona, Sevilha, Cracóvia, Dublin, Marraquexe, em Marrocos, Copenhaga, Roma, entre outros destinos -, a ex-administradora, hoje com 37 anos, assegurou que foram todos "ao serviço" da Gebalis, nomeadamente para receber "formação", estar presente em "feiras internacionais" ou participar em "conferências".

A arguida confirmou que, em algumas dessas viagens, teve a companhia do namorado, mas assegurou que as viagens foram todas pagas pelo próprio. Contudo, disse desconhecer as razões pelas quais havia fichas de reserva de viagens em nome do companheiro e outras em nome da Gebalis, quando a viagem fora reservada para o namorado.

Sobre a viagem a Marraquexe, a ex-administradora disse inicialmente que uma despesa de hotel, de mais de 150 euros, dizia respeito a pequenos-almoços, mas, depois de confrontada pelo tribunal com a fatura - que descrevia despesa com almoços e jantares -, respondeu: "Não coincide com a minha versão, mas é o que me lembro".

Clara Costa foi ainda questionada pelo coletivo de juízes sobre a aquisição de dezenas de DVD, CD e livros através do cartão de crédito. Muitos destes objetos acabaram por nunca aparecer.

A arguida justificou a compra com a intenção de fazer, nas instalações da Gebalis, uma "videoteca", de forma a proporcionar a "sociabilização e o convívio" dos colaboradores da sede, projeto que nunca chegou a concretizar-se.

Os três arguidos incorrem numa pena de oito anos de prisão pelo crime de peculato e de cinco anos pelo de administração danosa.

A próxima sessão ficou agendada para as 14:00 de 24 de junho.

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