Prémio Bial evidencia resultados da consulta do pé diabético

O Prémio Bial de Medicina Clínica atribuído à médica Maria de Jesus Dantas evidencia os resultados da consulta do pé diabético na região do Tâmega e Sousa, com a menor taxa de amputação do país, considera a laureada.

© Reuters
País Medicina

Em declarações à Lusa, a médica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa assinala que o galardão decorre do "trabalho de grande valor", de vários anos, de uma equipa multidisciplinar que tem atuado, "com muita dedicação, numa forma de organizar o atendimento à entidade patológica que é o pé diabético".

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"Desenvolvemos um plano de tratamento multidisciplinar, com algumas variantes, que foram implementadas pela equipa, nomeadamente ao nível do ensino terapêutico, com a criação de várias ferramentas informáticas para o tratamento", indicou.

A médica especialista em cirurgia geral explicou à Lusa que a prevalência da diabetes em Portugal tem crescido nos últimos anos, atingindo atualmente os 13,3% da população, entre os 20 e os 75 anos de idade. Nove por cento dos doentes desenvolve infeções no pé.

No caso das amputações, vincou, a taxa de mortalidade é muito elevada, superior até a alguns tipos de cancro, atingindo os 67% nos cinco anos.

No Tâmega e Sousa, o "núcleo duro" da consulta do pé diabético compreende as especialidades de cirurgia geral, ortopedia, cirurgia vascular, pedologia e enfermagem.

Maria de Jesus Dantas destacou que, através de um sítio na Internet, "a consulta disponibiliza muita informação para os pacientes", que inclui vídeos, potenciando a interação com os pacientes.

A consulta do pé diabético naquele centro hospitalar, que compreende os hospitais de Penafiel e Amarante, foi iniciada em 1998, mas de "uma forma muito elementar", com "valências muito básicas, só com médico e enfermeiro", não contando sequer com um profissional de pedologia.

"Fomos cativando mais e mais valências, incorporando na consulta, criando protocolos de complexidade crescente, até termos conseguido uma consulta de nível máximo, que é de nível 3, que já dispõe de todas as valências, mesmo as mais complexas", destacou.

O crescimento ao longo dos anos foi "avassalador", atingindo as 4.500 consultas anuais, resultado alcançado, frisou a médica, "com uma estrutura muito frágil e com sobrecarga dos profissionais".

"Fizemos o trabalho de casa, com a prata da casa, pusemos o 'know how' ao serviço deste esquema e tentamos explicar que é possível pegar nisto e reproduzir. Só implica muita dedicação e trabalho, com um investimento financeiro irrisório", afirmou.

À Lusa, a médica laureada disse esperar agora que o modelo seja replicado noutros hospitais do país.

"Estamos disponíveis para mostrar o 'know how' e explicar aos outros como fizemos. Copiar e reproduzir é fácil, difícil foi montar isto tudo, mas estamos disponíveis para ajudar e colaborar, a bem dos bons resultados no tratamento desta patologia, e diminuir o flagelo que é a amputação nos diabéticos", concluiu.

Também em declarações à Lusa, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Carlos Alberto, fala do orgulho que sente por um profissional daquela unidade hospitalar ter sido distinguido com um dos mais importantes galardões na área da saúde.

Carlos Alberto elogiou a dedicação e a dinâmica da profissional premiada, nomeadamente por ser capaz de criar um bom ambiente em toda a equipa.

Acrescentou que é dever do centro hospitalar proporcionar todas as condições à equipa no trabalho que desenvolve em prol dos doentes com diabetes.

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