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Templos órfãos de crucifixos, sinos, esmolas e até água benta

Há igrejas portuguesas roubadas em plena luz do dia por falsos turistas com mochilas e há templos rurais arrombados pela calada da noite, usurpados de sinos, caixas de esmolas, custódias, santinhos, cálices, crucifixos ou até água benzida.

Templos órfãos de crucifixos, sinos, esmolas e até água benta

Os objetos mais furtados dos templos religiosos são imagens de santas, sinos, alfaias religiosas em prata e ouro - como por exemplo os cálices -, pinturas amovíveis, crucifixos, coroas de santos e terços, contou à Lusa o coordenador de investigação criminal da Polícia Judiciária (PJ) na área do combate à criminalidade dos bens culturais e obras de arte.

Nas cidades, os larápios atacam de preferência durante o dia e fazem-se passar por turistas e fiéis, saindo dos templos com mochilas recheadas de arte sacra.

Nas zonas rurais, mais isoladas, o crime acontece pela noite dentro e o esquema predileto dos ladrões é o arrombamento de portas das igrejas e capelas, que padecem de falta vigilância e que estão fechadas meses a fio, abrindo apenas para cultos religiosos.

Segundo João Oliveira, o mais comum é os furtos ocorrerem durante o dia naquelas igrejas que ainda estão abertas aos fiéis e ao culto, mas que, por força do reduzido número de pessoas que as frequentam, dão margem aos ladrões, que se fingem de crentes e esperam pelo melhor momento para furtar o que estiver acessível e estão munidos com mochilas para dissimularem os objetos aquando da saída do templo.

Nos templos encerrados ou que só abrem para casamentos, batizados e outras cerimónias religiosas, e que normalmente se localizam em zonas mais rurais e ermas, os roubos ocorrem à noite.

“São locais isolados, com muitas fragilidades ao nível da segurança em que normalmente são arrombadas as portas ou janelas”, revela o investigador.

Sandra Saldanha, do Secretariado Nacional dos Bens Culturais da Igreja, admite que são "várias as frentes para inverter a situação de inacessibilidade a que se encontra votado um vasto conjunto do património religiosos nacional, assente nos diversos constrangimentos de o dar a conhecer e assegurar uma abertura regular".

Sandra Saldanha admitiu à Lusa que existe um problema de abertura das igrejas em horário regular, para além do culto.

“É um fenómeno que existe por questões de falta de recursos humanos e questões de segurança”, explicou à Lusa.

Os sinos são um dos objetos mais furtados das igrejas em Portugal nos dias de hoje, um fenómeno ampliado em 2011 e que chegou a atingir “proporções preocupantes”, observou o coordenador de Investigação Criminal da PJ.

Além dos sinos, furtam órgãos, caixas de esmolas, custódias, talhas douradas, retábulos inteiros, cantarias exteriores, pias batismais, imagens de santas, cálices, esculturas, crucifixos, coroas de imagens e até água benta, contou Sandra Saldanha.

Os furtos da azulejaria – avulsa ou em painéis inteiros – e de pinturas murais são outras situações que se têm vindo a “adensar”.

Segundo Sandra Saldanha, um “significativo conjunto destes delitos não visa o roubo de obras de arte, mas antes os parcos valores monetários existentes em algumas igrejas, atentando sobretudo contra as caixas de esmolas. Seguem-se os roubos de peças de dimensão reduzida e fácil transporte, tais como as “imagens devocionais”, peças de ourivesaria”, incluindo cálices, crucifixos e coroas de imagem.

No artigo “Insegurança para o Património Cultural”, que João Oliveira escreveu para a revista Invenire, é dito que entre “2005 a 2010 foram participados à Polícia Judiciária (PJ) cerca de 1.100 casos referentes a criminalidade cultural em geral” e que desse total, cerca de “30% relacionam-se com delitos ocorridos em locais de culto”.

Os números avançados pelo investigador são, todavia, “meros indicadores e não traduzem fielmente a realidade fáctica”, referindo-se apenas à criminalidade participada à PJ. É que existe um expressivo número de delitos que nunca foram participados àquela polícia ou que foram comunicados a outras autoridades.

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