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Pode haver métodos diferentes de analisar mudanças climáticas

Um grupo de cientistas liderados por uma portuguesa encontrou uma forma de integrar dois métodos diferentes de avaliar os efeitos das alterações climáticas e da poluição nos ecossistemas, tornando possível a análise global dos dados existentes.

Pode haver métodos diferentes de analisar mudanças climáticas
Notícias ao Minuto

11:04 - 28/01/17 por Lusa

País Ciência

A informação obtida nos últimos 20 anos sobre as consequências da mudança do clima ou da poluição nos ecossistemas não podia dar origem a uma avaliação global porque os cientistas dos Estados Unidos da América (EUA) e os da Europa usam métodos diferentes, embora utilizem o mesmo bioindicador, ou seja, os líquenes.

"A grande importância [deste trabalho] é que, de agora em diante, já podemos pegar nos dados que temos dos EUA e da Europa, desde há 20 anos, e analisar os dois em conjunto, de forma integrada, para conseguirmos perceber os padrões de mudança nos ecossistemas", explicou hoje Paula Matos à agência Lusa.

Os líquenes refletem o efeito que as alterações globais têm nos ecossistemas e "esta é uma forma ótima de conseguirmos ver se os padrões são ou não globais, se existem situações generalizadas, se os padrões de poluição são iguais", independentemente do ponto do mundo, relatou.

A investigadora do cE3c -- Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explicou que esta informação ajuda a tentar perceber o que pode ser feito para remediar a situação e, também, se as políticas que estão a ser implementadas a nível global têm ou não o efeito pretendido.

O trabalho, especificou Paula Matos, "não só integrou os dois métodos, como o tentou fazer usando todas as métricas mais utilizadas hoje em dia para medir os vários efeitos" das alterações climáticas e perceber se os resultados indicam o mesmo tipo de mudança.

Os líquenes são dos indicadores ecológicos mais estudados, há mais tempo, nomeadamente para aferir a qualidade do ar, já que funcionam "como um ótimo termómetro do ambiente" e, quando existe uma alteração, são dos primeiros a reagir.

Com a crescente preocupação a nível internacional com as alterações climáticas, a Organização das Nações Unidas (ONU), como outras organizações, tem pedido indicadores que possam ser usados à escala mundial, sendo fundamental que todos os cientistas trabalhem com a mesma metodologia para que os resultados possam ser integrados e comparados.

"O que fizemos foi arranjar uma maneira, uma métrica, e desenvolvemos uma espécie de uma 'framework' que permite usar, a partir de agora, os dois em conjunto, numa linguagem comum", resumiu Paula Matos.

Quanto à possibilidade de ser proposto um método novo a ser usado por todos, refere que "seria muito difícil convencer os cientistas dos dois continentes a adotarem" uma nova forma, a sua implementação demoraria muito tempo e nunca seria possível aproveitar os dados passados.

O estudo resultou da colaboração entre investigadores do cE3c, do Instituto Superior Técnico, da Universidade de Aveiro e do Serviço de Florestas do Departamento de Agricultura dos EUA e foi publicado na revista Methods in Ecology and Evolution.

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