"O tio só não teve razão numa coisa: que Marcelo não seria Presidente"

Não querendo entrar em polémicas, Eduardo Barroso deixou uma suspeição no ar relativamente à forma como o tio foi tratado após a encefalite que sofrera há três anos.

© Reuters
País Eduardo Barroso

Numa entrevista à RTP 3, Eduardo Barroso, sobrinho de Mário Soares, disse que lhe vai fazer muita falta o "querido tio Mário antes da encefalite de há três anos".

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Deixando no ar alguma amargura pelo facto de Mário Soares ter "cortado", nessa altura, consigo e com o médico pessoal de décadas, Eduardo Barroso deixou um desabafo: "Sempre fui o conselheiro médico de toda a família, e o tio ouvia-me com um respeito e uma admiração muito grande, independentemente de ter o seu médio pessoal. Aos 89 anos, já um bocadinho diminuto, acabou por cortar comigo e com o Daniel [o médico de Soares durante décadas]".

Na prática, este corte, que foi uma decisão de Mário Soares, significou que este nunca mais pediu opinião nenhuma ao sobrinho como fizera toda a vida. Em relação ao afastamento do médico pessoal, "o doente não lhe foi devolvido como devia ser devolvido, mas ainda é cedo para explicar", afirmou, deixando no ar alguma suspeição.

"Há um dr. Soares antes da encefalite, seguido por mim e pelo Daniel, e há um tio Mário depois disso. Isso é um facto. Um dia falaremos nisso", disse. Em suma, "o querido tio que perdi há três anos, em parte, que tanto me deu na cabeça por algumas coisas que discutíamos, esse de facto afastou-se de mim", lamentou ainda, dizendo-se "desgostoso destes últimos três anos".

Frisando que "não estamos em altura de polémicas, mas sim de prestar homenagens", Barroso falou da relação que tinha com o tio e da forma como a família é unida.

"O tio vai fazer muita falta a muitos dos sobrinhos, a mim especialmente porque a minha relação com o tio nunca foi política". Mário Soares, confessou, considerava Eduardo Barroso "um zero à esquerda em política" e que muitas vezes o "fazia passar vergonhas".

"Ele só não teve razão numa coisa", revelou Eduardo Barroso, a propósito de uma aposta que fizera com o tio sobre o seu melhor amigo Marcelo Rebelo de Sousa: "Desde os meus 10 anos que sempre disse que o meu melhor amigo havia de ser Presidente da República ou presidente do Governo. Até fizemos uma aposta que ele depois me perdoou porque eu perdi (eu dizia que ia acontecer até ao ano 2000). Acabou por ser muito engraçado, ele achava que ele [Marcelo] havia de não conseguir. Depois, ironia das ironias, foi com esse Presidente que acabou por se fazer a despedida do tio Mário de uma maneira que não era possível fazer com outro Presidente".

Sobre toda a cerimónia fúnebre de ontem, Eduardo Barroso deixou rasgados elogios a Marcelo. "Foi de alguém que é um afetivo, é um generoso, que conseguiu transformar esta dolorosa partida, contribuiu para esta cerimónia tão genuinamente afetiva", disse.

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