Arguido nega em tribunal ter encostado faca ao pescoço da mulher

Um homem de 52 anos, de Montemor-o-Velho, negou hoje em tribunal ter encostado uma faca ao pescoço da mulher, num caso em que é acusado de violência doméstica e de um crime de incêndio na sua habitação.

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País Coimbra

O arguido, já condenado noutro processo por violência doméstica, negou hoje no Tribunal de Coimbra, no começo do seu julgamento, parte dos factos descritos na acusação do Ministério Público (MP).

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O homem de 52 anos é acusado de, a 22 de abril deste ano, ter incendiado um quarto da habitação onde residia com a sua mulher.

No mesmo dia, o arguido terá ainda regressado à residência, após o fogo ter sido extinto pelos bombeiros, e encostado uma faca com uma lâmina de oito centímetros ao pescoço da mulher com quem está casado há 34 anos, alegadamente afirmando que iria "acabar" com ela, refere o MP no despacho de acusação, a que a agência Lusa teve acesso.

De acordo com o MP, quando o genro tentou intervir em auxílio da mulher, o arguido desferiu um golpe com a faca na perna esquerda do homem.

Em tribunal, o homem alegou que tinha tido uma "discussão" com a vítima durante a tarde - algo recorrente na relação - e despejou "duas ou três gotas" de gasolina no quarto onde dormia a sua mulher, sem esta se encontrar dentro daquela divisão.

"O objetivo era meter medo. Só isso", justificou, referindo que foi ainda buscar uma mangueira para "tentar apagar aquilo", mas não conseguiu.

O arguido confirmou que regressou à habitação às 20:30, após os bombeiros terem saído do local, com uma faca que usava no trabalho na mão.

Questionado por um dos juízes do coletivo sobre o porquê de ter a faca na mão, o arguido não conseguiu explicar.

"É mentira que tenha encostado a faca ao pescoço" da mulher e "é mentira" que tenha dito que ia "acabar" com a vítima, frisou.

O homem disse ainda que havia "discussões simples" regularmente. Desconfiava quando a mulher "chegava a casa à uma e duas da manhã" e queixou-se de que a vítima não lhe lavava a roupa e "não tratava da limpeza da casa".

"Eu tinha medo do que ele me podia fazer", contou no tribunal a vítima, sublinhando que a relação não estava boa e que o casal já dormia "em quartos separados".

As discussões "eram habituais" e a violência que sofria "era mais verbal", afirmou, referindo que o arguido chamava-a "de nomes".

Sobre o alegado facto de o marido lhe ter encostado uma faca ao pescoço, a vítima explicou aos juízes que "há coisas desse dia" que não se lembra.

"Não estava em mim, mas o meu genro e a minha filha dizem que sim", salientou.

O arguido é acusado de um crime de incêndio, um crime de ofensa à integridade física qualificada e um crime de violência doméstica.

 

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