"Este reconhecimento pela Unesco vai ajudar a prosperar" a atividade

O embaixador Jorge Lobo de Mesquita afirmou hoje que o reconhecimento da olaria negra de Bisalhães, em Vila Real, pela Unesco vai ajudar esta antiga e original atividade a prosperar.

© Reuters
País Olaria Negra

Jorge Lobo de Mesquita é o chefe de delegação portuguesa na 11ª sessão do Comité Intergovernamental da UNESCO para a salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

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Foi durante este encontro, que decorre na Etiópia, que a Unesco decidiu a inclusão do processo de fabrico do Barro Preto de Bisalhães na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade que necessita de salvaguarda urgente.

"Portugal está muito honrado pelo facto de, com esta decisão, mais uma das suas tradições passar a estar hoje inscrita na lista de salvaguarda urgente, desta vez oriunda de uma pequena comunidade no norte do país, no município de Vila Real, muito perto do Alto douro Vinhateiro", frisou o embaixador, durante o discurso em Adis Abeba e que foi divulgado num comunicado da câmara.

Jorge Lobo de Mesquita referiu ainda que a "olaria era uma atividade muito disseminada em Portugal, devido à excelência dos barros e ao conhecimento ancestral dos oleiros".

"Mas hoje em dia os artesãos estão envelhecidos e necessitam de ser encorajados a transmitir a sua arte às gerações seguintes", sublinhou.

O responsável afirmou ainda estar certo "que este reconhecimento internacional pela Unesco vai ajudar esta antiga e original atividade a prosperar, não apenas em Bisalhães, que é a comunidade representativa, mas também nas poucas comunidades restantes, em Portugal e no mundo, onde a olaria negra ainda é produzida".

Por fim, o embaixador agradeceu a decisão hoje tomada pela Unesco, um agradecimento feito juntamente com o presidente do Município de Vila Real e os artesãos da comunidade de Bisalhães.

A Câmara de Vila Real avançou com a candidatura do processo de fabrico do barro negro de Bisalhães à Unesco por esta ser uma atividade em vias de extinção.

O principal problema desta atividade é o envelhecimento dos oleiros. Atualmente, são cinco os que fazem desta arte a sua atividade principal e a maioria tem mais de 75 anos.

Este é considerado um ofício duro, exigente, com recurso a processos que remontam, pelo menos, ao século XVI.

O processo de fabrico inclui desde o tratamento inicial que se dá ao barro até à cozedura.

 

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