Ciganos portugueses sentem-se os mais discriminados entre os europeus

Quase metade dos ciganos portugueses sentiram-se discriminados no último ano, sobretudo quando procuraram trabalho, revela um relatório europeu, segundo o qual são os que se sentem mais discriminados entre os ciganos de nove países europeus.

© Reuters
País Relatório

O relatório, da Agência Europeia para os Direitos Fundamentais (FRA) e divulgado hoje, resulta do segundo inquérito sobre Minorias e Discriminação na União Europeia (EU-MIDIS II), para o qual foram entrevistadas 25.500 pessoas de várias minorias étnicas, entre as quais 7.947 ciganos presencialmente, além de inquéritos a mais 33.785 indivíduos.

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Especificamente em relação aos ciganos, os países incluídos neste estudo foram Portugal, Espanha, Eslováquia, Bulgária, Croácia, República Checa, Grécia, Hungria e Roménia, onde, no conjunto, habitam cerca de 80% dos ciganos que vivem na União Europeia.

De acordo com a FRA, 71% dos ciganos portugueses sofreu um episódio de discriminação nos últimos cinco anos, enquanto 47% disse ter sido discriminado nos doze meses anteriores à realização do inquérito, sendo nesta matéria que Portugal aparece pior referenciado.

Valores muito acima da média dos nove países, em que 41% afirmou ter sido discriminado nos últimos cinco anos e 26% nos doze meses anteriores, sendo que em relação a este último Portugal só é ultrapassado pela Grécia, com 48%.

A FRA diz mesmo que, comparando com o primeiro inquérito, realizado em 2011, "a prevalência de discriminação quando procuram por trabalho aumentou substancialmente para os ciganos em Portugal", apontando, por outro lado, que esse tipo de discriminação baixou apenas na Bulgária, República Checa, Hungria e Roménia.

Neste parâmetro, 47% dos ciganos portugueses queixou-se de discriminação, contra 16% da média dos nove países (M9P).

Por outro lado, 11% dos ciganos nacionais disse ter sido discriminado no local de trabalho (5% M9P), 38% em serviços públicos/privados (19% M9P), valores que baixam para 2% na educação (7% M9P), 5% no acesso a habitação (12% M9P) e 5% na saúde (8% M9P).

Já na discriminação nos últimos cinco anos, 76% sentiu quando procurava emprego (40% M9P), 40% no local de trabalho (17% M9P), 75% no acesso a habitação (41% M9P), 45% nos serviços públicos/privados (28% M9P) e 13% na educação (14% M9P).

Relativamente à perceção da extensão da discriminação por causa da origem étnica, a FRA revela que, no global dos nove países, um em cada dois ciganos entende que é algo que está relativamente ou bastante espalhado no seu país.

Em Portugal, 51% dos ciganos tem essa perceção, contra 23% que acha que há discriminação por causa da cor da pele e 4% por motivos religiosos.

Já a perceção da população em geral (64%) é a de que a discriminação por causa de razões étnicas está bastante espalhada.

Por outro lado, no que diz respeito à denúncia de situações de discriminação, o relatório mostra que é comum entre as pessoas ciganas não apresentar queixa, sendo que, só 5% dos ciganos portugueses denunciou uma situação de discriminação pela qual passou nos últimos doze meses, contra 12% da média dos nove países.

O relatório revela também que em Portugal, Grécia e Roménia "quase nenhum dos ciganos entrevistados conhece qualquer organização de apoio" e apenas 36% do total dos inquiridos disse saber que existe legislação que proíbe a discriminação com base na cor da pele, origem étnica ou religião.

"Os resultados diferem consideravelmente entre países, com o mais baixo nível de conhecimento em Portugal", lê-se no relatório.

 

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