'Operação Zeus': Major detido vai prestar declarações no DIAP amanhã

O major Rogério Martinho, detido na 'Operação Zeus' que investiga corrupção e outros crimes no fornecimento de bens alimentares à Força Aérea, é interrogado na terça-feira pelo Ministério Público, revelou hoje à Lusa fonte ligada ao processo.

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País Justiça

Segundo a mesma fonte, o arguido, que será ouvido a seu pedido às 14:00 na 9/a secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, tenciona prestar declarações sobre os factos que constam do processo, o que poderá "mudar radicalmente a investigação".

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Depois de se ter remetido ao silêncio quando foi sujeito a primeiro interrogatório judicial após ter sido detido com outros cinco militares, a 03 de novembro, este oficial da Força Aérea, que está em prisão preventiva, resolveu agora prestar declarações ao procurador títular do processo.

O objetivo do interrogatório é que o magistrado do Ministério Público promova uma alteração da medida de coação junto do juiz de instrução criminal.

Do depoimento a prestar pelo arguido na terça-feira, a mesma fonte admite que possam resultar "novos elementos de prova" susceptíveis de "mudar radicalmente a investigação".

De acordo com a fonte, a investigação conta com muitas escutas telefónicas, fotografias, autos de vigilância e outro material probatório obtido durante as diversas buscas realizadas na 'Operação Zeus'.

Os seis militares da Força Aérea foram detidos pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de corrupção passiva, falsificação de documentos e associação criminosa, tendo ficado todos em prisão preventiva por o juiz considerar que se verificava o perigo de perturbação do inquérito e de continuação da atividade criminosa.

Em causa está um esquema de corrupção continuado no fornecimento de bens alimentares à Força Aérea que, segundo a PJ, consistia na faturação de géneros alimentícios fornecidos à Força Aérea por um valor muito superior ao dos bens efetivamente entregues, sendo a diferença posteriormente distribuída, entre as empresas fornecedoras e os militares envolvidos.

O esquema fraudulento, ainda de acordo com a PJ, terá lesado o Estado em cerca de 10 milhões de euros.

A investigação envolveu 180 buscas em simultâneo em 12 bases militares, em 15 empresas e em diversos domicílios, tendo sido apreendidas elevadas quantias em dinheiro, que os investigadoes presumem ser o produto da prática dos crimes.

A 'Operação Zeus' foi desencadeada após ano e meio de uma complexa investigação e nela participaram cerca de 330 investigadores e peritos da PJ, acompanhados por cerca de 40 elementos da Polícia Judiciária Militar, bem como de 27 magistrados do MP.

 

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