Marvão com turismo na "alma" ambiciona ser Património Mundial

A histórica vila de Marvão, no Alto Alentejo, tem conhecido uma evolução significativa no setor turístico, apresentado hoje como a "alma" de um concelho fronteiriço que continua a ter aspirações em ser distinguido como Património Mundial.

© iStock
País Alentejo

"O turismo é a grande alma e motor de desenvolvimento de Marvão. Sem o turismo estaríamos muito mais pobres e em dificuldades para obter um horizonte de subsistência", diz à agência Lusa Vítor Frutuoso, presidente do município localizado no 'coração' do Parque Natural da Serra de São Mamede, no distrito de Portalegre.

PUB

Além do património histórico, o concelho tem apostado no ambiente e na gastronomia para atrair turistas, sobretudo portugueses e espanhóis, num percurso em que ultrapassou o percalço da falência do campo de golfe, em 2007, um projeto iniciado pelo antigo governador de Macau, Carlos Melancia.

Apesar do fecho do golfe e de um parecer negativo ter obrigado, em 2006, à retirada da candidatura de Marvão a Património da Humanidade, pela UNESCO, o município "não baixou os braços", frisa Vítor Frutuoso, apontando para várias iniciativas destinadas a "recuperar estas bandeiras" e fomentar outras relacionadas com o turismo.

Quanto ao golfe, considerado em 2000, pela Federação Portuguesa da modalidade como "O Campo do Ano", Vítor Frutuoso acredita que o equipamento vai reabrir "em breve", assegurando que "há promotores interessados", além de já ter sido aprovada a segunda geração do Plano Diretor Municipal (PDM).

Por outro lado, o autarca afirma-se convicto de que a vila vai acabar por ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), através da candidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia, juntamente com Elvas, Valença e Almeida.

A candidatura das Fortalezas Abaluartadas dos quatro concelhos foi incluída, pela Comissão Nacional da UNESCO, na Lista Indicativa de Portugal a Património Mundial.

Para "combater as adversidades" vividas ao longo dos últimos anos, Marvão tem recorrido, segundo o presidente da câmara municipal, a outras iniciativas para não se desviar da "rota turística".

Exemplo do "empenho" na promoção do turismo são as quinzenas gastronómicas, realizadas anualmente e dedicadas às "comidas d'azeite", castanha, bacalhau, caça, cabrito e ao borrego, além do Festival Islâmico Al Mossassa, desde 2005, para homenagear o fundador de Marvão, o guerreiro Ibn Marúan.

O presidente da Entidade Regional de Turismo (ERT), Ceia da Silva, também se congratula com a "evolução muito significativa" do turismo em Marvão, nas últimas décadas.

"Há 30 anos, por exemplo, existia uma ou outra unidade de turismo em espaço rural e agora há várias e com qualidade", diz à Lusa o presidente da Turismo do Alentejo e do Ribatejo.

O concelho, na opinião de Ceia da Silva, "já justifica" a abertura de uma unidade de alojamento de cinco estrelas para fazer "a ligação" com o projeto de reabertura do campo de golfe.

Ceia da Silva destaca também a intervenção que tem sido feita no turismo de natureza, área em que o concelho apresenta "inúmeras potencialidades" graças ao facto de se localizar em pleno Parque Natural da Serra de S. Mamede.

Outro dos pólos de atração turística é a Cidade Romana de Ammaia, apontada como "o mais importante vestígio da sua época" existente na zona e cuja área central é constituída pela Quinta do Deão e pela Tapada da Aramenha, com cerca de 25 hectares.

Embora as ruínas tivessem sido classificadas como Monumento Nacional em 1949, estiveram abandonadas até finais de 1994, quando começaram as primeiras escavações arqueológicas sistemáticas. Três anos depois, a Fundação Cidade de Ammaia assumiu os trabalhos de estudo, escavação e de preservação do que resta da antiga cidade romana.

Da fundação, cujo presidente do conselho de curadores é Carlos Melancia, fazem parte entidades como a Câmara Municipal de Marvão e a Universidade de Évora.

 

COMENTÁRIOS REGRAS DE CONDUTA DOS COMENTÁRIOS