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Portugueses recordam autarca francês que ajudou emigrantes nos anos 60

Uma associação portuguesa está a construir um monumento em Champigny-sur-Marne para homenagear Louis Talamoni, um antigo autarca da cidade francesa onde milhares de portugueses se instalaram num bairro de lata nos anos 60 e 70.

Portugueses recordam autarca francês que ajudou emigrantes nos anos 60

"Ele foi o homem que mais ajudou os portugueses de todos os tempos. Encontrou-se numa situação como a que hoje se vê em Calais e teve de fazer face àquela miséria toda. Em vez de desmantelar o bairro de lata, decidiu mandar pôr água, luz e esgotos. Chegou a mandar professores levarem os alunos aos balneários públicos para tomarem duche e também distribuiu cobertores", disse à Lusa Valdemar Francisco, o mentor da iniciativa e presidente da associação Les Amis du Plateau.

O monumento vai ficar numa rotunda localizada a "cerca de 200 metros" do memorial aos emigrantes portugueses do escultor Rui Chafes e vai ter como peça central uma escultura a representar "um humanista e um homem com H grande" que foi presidente da Câmara de Champigny entre 1950 a 1975.

"Os portugueses que vieram nos anos 60 prestam homenagem ao Louis Talamoni e aos habitantes de Champigny cujas casas desvalorizaram muito no tempo dos bairros de lata. É também uma homenagem a França, para agradecer à França por nos ter recebido e nos ter integrado", continuou o presidente da associação.

Valdemar Francisco viveu nove anos no "bidonville" de Champigny-sur-Marne depois de ter chegado a França em 1960, com apenas seis anos, e decidiu avançar com o projeto porque "as pessoas estavam a morrer e tudo o que desaparece é esquecido".

Nesse sentido, o português de 62 anos criou a associação Les Amis du Plateau e convidou os emigrantes a deixarem a sua assinatura num tijolo para o monumento em troca de dez euros. No final, conseguiu mais de dois mil tijolos, mas a soma angariada foi meramente simbólica porque a obra custou 360 mil euros e foi financiada por empresas franco-portuguesas.

Tijolo a tijolo, a campanha ganhou visibilidade e até há tijolos autografados pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, pelo primeiro-ministro, António Costa, pelos cantores Pedro Abrunhosa, Luís Filipe Reis, Linda de Suza, pelo presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, entre muitas outras personalidades.

"O Marcelo Rebelo de Sousa quando assinou o tijolo dele ainda não era presidente mas prometeu-nos vir e disse que podíamos contar com ele para a inauguração", avançou Valdemar Francisco, acrescentando que tanto o Presidente da República quanto o primeiro-ministro já confirmaram a presença na cerimónia de inauguração, a 11 de junho, um dia depois das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas também em Paris.

A festa da inauguração vai contar também com uma homenagem a Gérald Bloncourt, um dos fotógrafos que mais retratou os bairros de lata portugueses dos anos 60 nos arredores de Paris.

Os 20 mil tijolos vão revestir oito colunas que abrem alas para a escultura central: uma pilha de livros rodeada de quatro mãos e encimada pela escultura em vulto do rosto de Louis Talamoni.

Há, ainda, doze oliveiras na rotunda cujas azeitonas serão "colhidas todos os anos no dia do São Martinho", uma data para homenagear o antigo autarca e lembrar o passado de milhares de portugueses nos bairros de lata em França.

"Falar disto é levantar um bocadinho o testo à panela. Há quem tenha vergonha, há quem tenha sido feliz lá, há de tudo. A França acolheu-nos mal porque não preparou mas deixou-nos desenrascar e quando isso acontece as pessoas têm mais garra. O povo português tem muita coragem", concluiu Valdemar Francisco que está também a fazer um documentário sobre o 'bidonville' de Champigny.

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