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Misericórdia do Porto preparada para dar resposta até 60 refugiados

A Misericórdia do Porto tem condições para dar "uma resposta imediata", se for solicitada, no acolhimento de 40 a 60 refugiados, avançou hoje à Lusa o provedor, António Tavares.

Misericórdia do Porto preparada para dar resposta até 60 refugiados

"Nós temos um centro de alojamento social onde recebemos as pessoas durante três meses. Portanto, temos condições e instrumentos internos para dar uma resposta imediata", afirmou.

Falando à Lusa, em Fafe, onde hoje participou nas atividades de encerramento da segunda edição do evento "Terra Justa", este ano dedicado aos refugiados, o provedor acrescentou: "Penso que o nosso estado de prontidão será de oito a 10 dias para podermos responder a qualquer tipo de solicitação".

Não obstante, Manuel Tavares assinalou as dificuldades e o grau de exigência do processo de acolhimento, nomeadamente em termos de recursos humanos nas instituições.

"Na Misericórdia do Porto, nós entendemos que o grau de exigência para o número de refugiados que o país pode vir a absorver implica uma grande disponibilidade das pessoas", vincou, acrescentando que "é pelo lado do empenho das pessoas" que se tem estado a resolver a situação.

Segundo o dirigente, a Santa Casa da Misericórdia do Porto vai envolver, no mínimo, cinco pessoas, entre psicólogos e assistentes sociais, além de médicos, enfermeiros e paramédicos.

Para António Tavares, a preocupação da instituição que dirige é acolher os refugiados "de acordo com um projeto de vida, com princípio, meio e fim".

"É um trabalho dos nossos técnicos que obedece à questão da habitação, aprendizagem da língua e da empregabilidade", sublinhou.

O responsável defendeu ainda que receber os refugiados não é somente fazer campanhas de sensibilização ou manifestar boa vontade, mas, sobretudo, criar condições para que essas pessoas não fiquem entregues a si mesmas na comunidade.

"Pese embora a grande capacidade de abertura e partilha que todos nós temos, é natural que haja dificuldades de inserção", alertou, referindo saber que alguns dos casos que já estão a chegar não estão a correr muito bem, porque estão a faltar esses apoios.

"Precisamos de trabalhar em rede e trocar informação", reforçou.

O provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto elogiou o evento "Terra Justa", que hoje termina, depois de cinco dias a refletir sobre os direitos humanos, sobretudo a problemática dos refugiados, com a participação de personalidades nacionais e estrangeiras conhecedoras do fenómeno.

António Tavares disse ter sido importante e oportuna a realização de um evento que permitiu desafiar o país para uma reflexão sobre a matéria, na ordem do dia.

O programa de hoje foi dedicado à Fundação Calouste Gulbenkian, instituição homenageada.

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