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"País não é só a seleção de futebol. Nós fomos a capital do mundo"

O escritor Manuel Alegre, admirador de Eusébio, a quem dedicou um poema, defendeu hoje que o ensino da disciplina de História devia ter mais relevância e afirmou: "O país não é só a seleção nacional de futebol".

"País não é só a seleção de futebol. Nós fomos a capital do mundo"

O político e escritor fez estas declarações na apresentação da sua obra "Uma outra memória", hoje, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, tendo ainda lamentado que "não haja memória do país que fomos", afirmando-se desencantado com a Europa em que "só se sofre o poder da banca e dos mercados".

"Há hoje um patriotismo europeu que se sobrepõe a um ideia de Portugal", afirmou na sessão aos jornalistas e, numa resposta à agência Lusa, afirmou ter já indicado ao Governo, "e até ao Presidente da República, que lê muitos livros", a necessidade de se valorizar a disciplina de História - "não no sentido da antiga senhora", ressalvou, referindo-se ao regime anterior do 25 de Abril de 1974.

O autor de "A praça da Canção" defendeu uma história na perspetiva do historiador António Borges Coelho, que deu como exemplo, que "fala de Portugal e do seu povo nas suas grandezas e nas suas misérias".

"Se queremos ter uma posição no mundo, temos de saber o que foi Portugal, donde veio, como se fez, a extraordinária epopeia dos portugueses, que fizeram a primeira globalização e [uma] revolução cultural e científica, que está na origem da Europa. Nós fomos a capital do mundo", asseverou.

"E hoje quem sabe disso? Fala-se de futebol que é o que dão as televisões", criticou, apesar de gostar de futebol, e ser benfiqusita.

O poeta e ex-deputado socialista lamentou que "os intelectuais não sejam ouvidos e respeitados como dantes", sendo antes substituídos por "comentaristas", exemplo de que "vivemos a espuma dos dias".

"Há uma crise de memória, vivemos na espuma dos dias", disse.

Manuel Alegre, de 79 anos, citou entre outros António Sérgio, Jaime Cortesão, Vitorino Nemésio, Aquilino Ribeiro, David Mourão-Ferreira e Natália Correia.

Sobre si, afirmou: "Tenho tido a atenção dos meios de comunicação social, e sou ouvido, mas muitos desses vultos nem chegaram a ver o país em liberdade".

Na apresentação, José Manuel dos Santos, do conselho diretivo da Fundação EDP, afirmou que "a altivez em Manuel Alegre é atitude de resistência" e referiu-se ao poeta, de quem é amigo há 40 anos, como um "espírito ardente e atento".

"Uma outra memória", a obra hoje apresentada, explicou Manuel Alegre, surgiu "na idade de arrumar os papéis", na qual juntou "a vida, a escrita, a poesia e a política".

Neste livro traça retratos de algumas das pessoas com as quais conviveu como Álvaro Cunhal, Melo Antunes, Amílcar Cabral, Humberto Delgado, Salgado Zenha, Natália Correia, Amália Rodrigues, Jaime Gama, entre outros. "Mário Soares e eu" é um dos inéditos deste título, editado pelas Publicações D. Quixote.

Na sala, entre outras personalidades, como o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, a vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, da presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, estava o adjunto do ministro da Cultura, Horácio César.

Aos jornalistas, Manuel Alegre afirmou que "estava previsto e era esperado", a presença do ministro da Cultura, João Soares, "mas dadas as circunstâncias", afirmou "compreender" não ter vindo.

"Ele queria vir, tinha-me dito isso há dias, mas eu próprio, tendo em conta as circunstâncias atuais, entendi que não era bom nem para ele, nem para a sessão", disse.

Manuel Alegre referiu-se desta forma à polémica gerada através da rede social "facebook", na sequência de críticas dos colunistas Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente à ação governativa de João Soares.

Num SMS enviado à Lusa, o ministro pediu desculpa por ter prometido "bofetadas", e diz ter reagido a insultos, não a opiniões.

Sobre estas "circunstâncias", Manuel Alegre afirmou que não fazia "qualquer comentário".

A sessão contou com a presença, entre outros, dos jornalistas Adelino Gomes e José Carlos Vasconcelos, dos poetas Maria Teresa Horta e Nuno Júdice, da escritora Hélia Correia, da ex-candidata presidencial Maria Belém Roseira, do advogado Proença de Carvalho, o ex-bastonário da Ordem dos Médicos Germano de Sousa, do ex-ministro da Reforma Administrativa Alberto Martins, e do militante socialista José Magalhães, entre outros.

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