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Comandante critica relatórios feitos após acidentes em portos dos Açores

O comandante da Marinha Mercante Lizuarte Machado, especialista em transportes marítimos, considerou na sexta-feira infundados e contraditórios alguns relatórios feitos na sequência de quatro acidentes, um deles mortal, em que rebentaram estruturas de amarração em portos açorianos.

Comandante critica relatórios feitos após acidentes em portos dos Açores
Notícias ao Minuto

05:35 - 10/10/15 por Lusa

País Lizuarte Machado

O também deputado socialista foi ouvido sexta-feira em Ponta Delgada, após lhe ter sido levantada imunidade parlamentar, na comissão de inquérito ao transporte marítimo de passageiros da assembleia legislativa, criada para analisar investimentos públicos e apurar responsabilidades políticas nos acidentes de 2014 na Horta, em São Roque do Pico e na Madalena do Pico.

Em São Roque, um homem morreu a bordo de um transporte de passageiros, depois de ter sido atingido por um cabeço de amarração que se soltou quando a embarcação atracava. Dos outros incidentes não resultaram vítimas.

O comandante referiu que alguns estudos são "um misto de arranjinhos e falta de conhecimentos técnicos", deixando fortes críticas aos documentos do Gabinete de Prevenção e de Investigação de Acidentes Marítimos (GPIAM), da Rinave -- Registro Internacional Naval e do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL).

Lizuarte Machado disse não fazer sentido ter sido a empresa pública Transmaçor (que opera ligações marítimas no grupo Central) a pedir à Rinave uma análise das condições técnicas do porto de São Roque, quando essa função caberia à Portos dos Açores (gestora destas infraestruturas), e considerou o documento "absolutamente irrelevante".

"A Rinave não faz a mínima ideia do que é a análise a um cabeço, em Portugal só o Instituto de Soldadura e Qualidade sabe", afirmou, acrescentando que um segundo relatório da Rinave é "muito pobre e mal fundamentado".

Entre os erros, apontou, estão contradições relativas às capacidades de carga dos cabeços e dos cabos de amarração e a apresentação de coeficiente de segurança para cabos, quando nas atuais regras esse indicador não existe.

O documento do GPIAM, no seu entender, tem "as mesmas asneiras", com a diferença de poder ser consultado em todo o mundo: "É confrangedor para um homem do mar como eu quando um gabinete oficial publica um relatório destes".

Lizarte Machado sublinhou, entre outras questões, que o relatório aponta diferentes valores para o tamanho das ondas num dos acidentes e que no cenário colocado o navio nem teria condições para estar a operar no porto, devido à reduzida altura da maré.

No documento refere-se uma ausência de manutenção dos cabeços em São Roque, mas o comandante questionou que outros portos no país fazem uma manutenção que não se baseie na inspeção visual e afirmou que não é olhando para um cabeço que se percebem fraturas anteriores.

Insistindo na desadequada relação entre as capacidades dos cabos e dos cabeços utilizados, Lizuarte Machado realçou na audição que o porto de São Roque é "o pior dos Açores em termos operacionais" e repetiu que os mestres das embarcações "fazem as manobras sempre corretas".

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