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Viticultores defendem Casa do Douro mas muitos já não pagam quotas

Os viticultores durienses parecem unânimes em defender a Casa do Douro (CD), mas muitos admitem que já não pagam as quotas à instituição porque dizem que as suas funções estão esvaziadas.

Viticultores defendem Casa do Douro mas muitos já não pagam quotas

É o silêncio que impera na sede histórica do organismo duriense, localizada no Peso da Régua. Lá dentro permanecem alguns funcionários e os elementos direcção, mas são cada vez menos os viticultores que ali entram.

A CD, criada há 80 anos, é uma associação privada de direito público e de inscrição obrigatória. Ou seja, todos os produtores de vinho do Douro têm que estar inscritos no organismo e pagar as quotas à instituição.

“Ainda me revejo na CD, mas já não vou lá tratar dos problemas porque, neste momento, não tem funcionalidade”, afirmou à agência Lusa o viticultor Manuel Araújo.

Quando precisa de resolver qualquer assunto relacionado com a vinha ou o vinho, este pequeno produtor diz que tem que ir ali ao lado, ao Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).

Manuel Araújo garantiu que pagou as quotas à CD durante muito tempo, mas no ano passado já não o fez. “Já devia ter pago, não paguei, mas pagar para quê?”, questionou.

Isto porque, na sua opinião, “é complicado estar a pagar para uma instituição que já não tem poderes e que não resolve nada”.

Outro viticultor, Manuel Ribeiro, referiu que, devido à diminuição dos rendimentos dos produtores durienses bem como do benefício (quantidade de vinho do Porto que cada um pode produzir), estes já não têm dinheiro para pagar as quotas.

“Bastante temos lutado para defender a CD, mas parece-me que há interesses maiores que não querem que a instituição funcione. Por isso, vamos deixando andar e ver até onde isto vai parar”, salientou ainda Manuel Araújo.

O presidente da instituição, Manuel António Santos, disse à Lusa que a CD já não recebe quotas há ”dois anos e meio”.

“São cerca de dois milhões de euros. Dinheiro que era suficiente para pagarmos salários, a muitos fornecedores e retomarmos uma vida com o mínimo de dignidade”, acrescentou.

De acordo com a lei, as quotas estão indexadas às declarações de colheita e produção.

Neste momento, é o IVDP que tem que fornecer à CD os dados relativos às declarações de colheita.

Manuel António Santos referiu que, no último mês, a sua instituição recebeu alguns elementos “a conta-gotas”, os quais considerou não serem suficientes para se poderem identificar “com clareza os viticultores”.

Referiu ainda que, em 2006, no comunicado de vindima, se previam penalizações para quem não pagasse as quotas.

“Hoje, não se toma nenhuma medida dessa natureza. A lei é a mesma só que, enfim, deixa-se correr. É-nos legítimo pensar que desde há muito está em curso uma estratégia para destruir esta instituição”, salientou.

A CD queixa-se da retirada de competências nos últimos anos, como por exemplo o cadastro, que resultou também perda de fontes de receita. Em Julho, por causa da suspensão do contrato de trabalho por parte de duas trabalhadoras, a organização da lavoura duriense encerrou os serviços de laboratório.

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