Colega de prisão denuncia privilégios de Sócrates

Um dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Évora, João Sousa, mantém um blogue onde escreve sobre variados temas. A sua última entrada refere-se ao caso de José Sócrates e aos privilégios a que este terá direito dentro da cadeia. O ex-primeiro-ministro nunca terá sido alvo, por exemplo, de buscas na cela ou de revisão corporal.

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País João Sousa

João Sousa, inspetor da Polícia Judiciária de Setúbal, é um dos colegas de prisão de José Sócrates em Évora e mantém um blogue na internet - 'Dos dois lados das grades' -, onde semanalmente vai publicando, sobre os mais variados temas.

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A última entrada, datada de dia 13, descreve, alegadamente, a diferenciação no tratamento a José Sócrates no Estabelecimento Prisional de Évora.

“Com todo o respeito pela família e amigos do Eng. José Sócrates que sofrem com a sua reclusão, o José não é um recluso normal, e não é tratado como um recluso normal, igual aos outros”, escreveu, sublinhando que Sócrates recebe as visitas que quer, à hora que quer, em condições privilegiadas.

“O José está sozinho desde que entrou. Eu, tive que escrever ao Provedor de Justiça e à Inspecção Geral dos Serviços de Justiça, denunciando que em 9/10 meses recebi na minha cela, 4 reclusos”, acrescentou.

O inspetor da PJ, acusado de corrupção e branqueamento de capitais, indica ainda que ex-primeiro-ministro nunca foi alvo de uma busca na sua cela ou de uma revista corporal.

“Ao fim de um mês de ‘estadia’, qualquer recluso é alvo de uma busca na sua cela. É um procedimento de segurança. Já fui alvo de três, sendo que a última foi quando me identifiquei no ‘blog’: possivelmente pensaram que eu tinha um ‘iPad’ ou algo semelhante! Todos nós fomos alvo de mais ou menos buscas. Em 6 meses o José nunca foi alvo de busca (talvez tenham receio das pulgas!)”, criticou o recluso.

“A busca em si não é má, mau é a obrigação de desnudarmo-nos completamente e realizar agachamento, não se vá verificar a possibilidade de ocultarmos algo no ânus. O José nunca agachou”, adiantou.

O Jornal de Notícias contactou a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais sobre estas alegações ao que órgão respondeu que “a legislação e os regulamentos aplicam-se de igual modo a todos os reclusos”.

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