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Advogada acusada de desviar fundos assume postura "negligente"

A advogada acusada de desviar dinheiro do condomínio de um prédio no Porto, enquanto administradora, assumiu hoje, no Tribunal São João Novo, ter sido "pouco profissional e negligente" nas suas funções.

Advogada acusada de desviar fundos assume postura "negligente"

A arguida, a quem o Ministério Público imputa os crimes de abuso de confiança, falsificação de documentos e emissão de cheques sem provisão, afirmou que pagava a "alguns fornecedores" em dinheiro e não pedia faturas, não tendo documentos de despesas.

"Infelizmente, há muita economia paralela nos condomínios e eu tenho culpa em ter pactuado com ela", disse.

Segundo a advogada, os fornecedores eram os mesmos há "alguns anos", havendo confiança, pelo que os pagamentos de serviços eram feitos com base num orçamento.

Por vezes, a arguida depositava os cheques do condomínio numa das suas duas contas pessoais e, posteriormente, levantava o dinheiro para pagar aos fornecedores que queriam o pagamento em numerário ou ia com os próprios ao banco, alegou.

Acrescentou que as receitas mensais por vezes não chegavam para pagar as despesas "elevadas", dado tratar-se de um edifício com 191 frações, três blocos habitacionais e galerias comerciais. Então, adiantava do seu dinheiro.

"Tinha uma vida confortável, ganhando cerca de 8.000 euros por mês (...), permitindo-me pagar despesas que, mais tarde, ia buscar ao condomínio mediante a sua disponibilidade financeira", justificou.

Administradora entre 2005 e 2012 do edifício que está na origem deste processo, a arguida, de 41 anos, foi confrontada pelo coletivo de juízes com cheques cujos valores tinham sido alterados e inflacionados em 1.000 euros, revelou ter ficado com o dinheiro "por necessidade".

"Sempre fui uma pessoa com dificuldade em dizer 'não' às pessoas à minha volta e abro mão do meu dinheiro para ajudar, quer família, quer amigos", salientou.

Perante esta afirmação, o coletivo de juízes questionou a arguida com o facto de ter dito que "vivia bem" e, de um momento para o outro, passou a ter "dificuldades".

"Administrava muitos prédios, mas fui perdendo-os e surgiram as dificuldades", argumentou.

Em 2011, na sequência de uma assembleia-geral extraordinária, a arguida assinou uma declaração onde realçava ser devedora e lamentava "quaisquer prejuízos" causados aos condóminos.

"Erradamente, assinei sem ler", acrescentou.

A advogada lembrou que os cheques emitidos pelo condomínio eram sempre assinados por si e por um membro do conselho de fiscalização, havendo assembleias anuais para a aprovação das contas.

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