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Fundação Guimarães 2012 com verbas em atraso

O presidente da Fundação Cidade de Guimarães admitiu ter os próprios salários em atraso e disse que a instituição "ainda só" recebeu 6,5 dos 21 milhões de euros dos fundos comunitários destinados ao evento, que encerra no domingo.

Fundação Guimarães 2012 com verbas em atraso

Em entrevista à agência Lusa, João Serra revelou também que a Oficina, estrutura responsável pelo grosso da programação cultural da Capital Europeia da Cultura, recebeu, de facto, até ao momento, 2,5 milhões dos 11,4 milhões de euros de fundos comunitários que lhe foram consignados pelo orçamento de Guimarães 2012.

O responsável reconheceu ainda que o resvalar dos prazos nas transferências de verbas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) originou "momentos menos bons", como a recalendarização do programa associativo Tempos Cruzados, e acusações por parte de artistas a propósito da falta de pagamento de honorários.

"Trata-se de realizar em apenas um ano o que se realizaria em muitos anos. Todos estes processos envolvem sempre polémicas", afirmou, reconhecendo que "teria sido preferível que as polémicas não tivessem acontecido", porque "tiveram um aspecto dramático".

Mas, realçou, 2012 "foi um ano de excelência".

A questão das verbas do financiamento europeu foi uma das questões que marcou Guimarães 2012, cujo orçamento global atingia os 28 milhões de euros, dos quais 21 milhões foram garantidos através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

"Houve um resvalar dos prazos das transferências pela CCDR-N. Houve dados com que nem nós nem o Governo contávamos, como a reprogramação do Quadro Referência Estratégico Nacional em Bruxelas", apontou.

Assim, revelou o responsável pela Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, a seis dias do final do evento "só 6,5 dos 21 milhões de euros" contratualizados com a CCDR-N foram transferidos para a Fundação Cidade de Guimarães.

Também o principal parceiro na concretização do programa cultural da Capital Europeia da Cultura, a Oficina, tem verbas por receber, tendo, tal como a Fundação, recorrido à banca para fazer face aos problemas de tesouraria.

"No caso da Oficina, o atraso é um bocadinho maior. Tinha a receber 11 milhões de euros do FEDER mas, de facto, recebeu 2,5 milhões", revelou.

O resvalar das referidas transferências teve como consequência atrasos nos pagamentos aos artistas, levando à criação do movimento "Eu fiz parte mas não me pagam".

João Serra diz compreender a atitude, embora essa não "faça não sentido", já que "os pagamentos aos artistas estão neste momento na ordem dos 85% de execução.

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