Luís Patrick e Fernando Marinho estão acusados de, nessa noite, terem andado de mota pela serra a atear vários focos, que resultaram nos incêndios de Alcofra, Meruge e Silvares.
Na reconstituição participaram juízes, jurados, advogados e elementos do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR que já tinham feito o percurso com Fernando Marinho, poucos dias depois dos incêndios.
Os oito jipes da GNR seguiram a 'scooter' bege referida na acusação, conduzida por um elemento da GNR, que ia fazendo as mesmas paragens descritas por Fernando Marinho.
À semelhança do que já tinha dito no Tribunal de Vouzela, o mestre do SEPNA António Campos explicou que a GNR tinha feito "uma investigação muito pormenorizada" e detetado os locais onde se iniciaram os incêndios antes de lá ter ido com as indicações dadas por Fernando Marinho.
"Foi ele que nos indicou os locais e coincidiram com os que previamente já tínhamos definido como locais de incêndio", disse ao juiz.
Na semana passada, Luís Patrick assegurou estar inocente, mas Fernando Marinho desmentiu-o, dizendo que o que está na acusação "é verdade".
Fernando Marinho contou que Luís Patrick ateou os incêndios de Alcofra e de Meruge e ele o de Silvares (seis focos que se juntaram num só incêndio), depois de incitado pelo amigo.
Segundo o mestre António Campos, no local onde terá começado o terceiro incêndio, junto às eólicas de Silvares, Fernando Marinho "hesitou um bocadinho" antes de admitir que tinha aí ateado seis focos de incêndio.
Durante o percurso, foi possível comprovar que a pequena mota conseguiu subir a serra pelo estradão, ainda que, nalguns momentos, o elemento da GNR se tivesse apeado, tal como Fernando Marinho tinha dito que fez.
António Campos explicou que, na altura em que fizeram o percurso com Fernando Marinho poucos dias após os incêndios, o estradão estava ainda em melhores condições e que até passavam viaturas ligeiras sem problemas.
Na segunda-feira, o adjunto do comando dos Bombeiros Voluntários de Vouzela disse ter visto duas pessoas que não conhecia descerem a serra de mota, na noite de 20 para 21.
Alberto Alves contou que, quando já estava com outros bombeiros a combater as chamas em Nogueira de Alcofra, viram um clarão no cimo da serra e vários focos de incêndio a surgir.
Segundo o adjunto, foi depois de ter pedido aos populares que se começaram a juntar que retirassem as viaturas de um cruzamento que viu duas pessoas a descer a serra, numa mota pequena.
"Estranhei eles virem de cima para baixo", frisou.
Luís Patrick e Fernando Marinho estão acusados, em coautoria, de um crime de incêndio florestal, de quatro homicídios qualificados e de 13 de ofensa à integridade física qualificada. Sobre o primeiro recai também a acusação de condução sem qualificação legal.