Fernando Alexandre foi o convidado do jantar-conferência de sexta-feira à noite da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de jovens quadros que decorre até domingo em Castelo de Vide (Portalegre).
O ministro foi questionado por um dos alunos sobre o compromisso do Governo com a ciência, depois de ter sido anunciada a extinção da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e sua substituição pela Agência Nacional de Inovação (ANI).
Fernando Alexandre começou por realçar que em 2024 existiu "o maior investimento de sempre em ciência em Portugal" e reiterou que, no próximo ano, o orçamento para esta área vai aumentar mais 40 milhões de euros.
"Quarenta milhões é um valor muito significativo (...) O compromisso é total e todos os programas vão continuar. Nós vamos estar organizados é de forma diferente", afirmou.
O ministro defendeu que "a própria FCT e toda a comunidade científica já sabe que já não funciona bem, já não responde às necessidades dos investigadores".
"Então é preciso mudar. E vamos mudar a organização do financiamento da ciência, reforçando o financiamento da ciência", afirmou.
Por outro lado, considerou que só será possível continuar a aumentar o investimento na ciência "se a sociedade reconhecer que esse investimento responde às suas necessidades, ajuda a melhorar a sociedade, ajuda a melhorar a economia".
"A sociedade tem que perceber que é importante e os cientistas têm que perceber que têm a obrigação de devolver à sociedade o investimento que é feito neles", disse, pedindo uma maior ligação da investigação à inovação.
Sobre a polémica à volta da disciplina da Educação para a Cidadania, o ministro disse ter ficado surpreendido com "a leviandade" com que se falou do tema.
"Eu fico surpreendido, muitas vezes, de facto, com a forma como se fala desta disciplina, porque, modéstia à parte, é a primeira vez que ela está a ser tratada com a seriedade que merece e com o lugar que merece ter no currículo", considerou.
Fernando Alexandre sublinhou que nesta disciplina cabem "matérias de grande complexidade", incluindo a educação sexual, e que existe "um problema de formação" nos professores que a lecionavam.
"Depois não é evidente, de forma nenhuma, que as aprendizagens sejam alcançadas. Por isso, uma preocupação que nós temos agora com a revisão da disciplina, não é apenas ter lá as aprendizagens essenciais na literacia financeira, e também na ciência política, na educação sexual. É ter depois professores com a formação adequada para lecionarem estes conteúdos desde o primeiro ano até ao décimo segundo ano", frisou.
Leia Também: Marcelo promulga extinção da Secretaria-Geral da Educação e Ciência