Maria da Graça Carvalho sublinhou que as áreas protegidas, como o Alvão, afetadas pelos fogos rurais neste verão vão dispor de contratos-programa específicos a três anos com medidas a implementar no terreno, começando com as obras de emergência.
O incêndio que começou a 02 de agosto em Sirarelhos, Vila Real, e se alastrou a Mondim de Basto, no mesmo distrito, deixou um rasto negro na serra do Alvão.
"Aqui o Alvão é particularmente triste", afirmou a ministra à agência Lusa, durante uma visita à serra, onde se inclui o Parque Natural do Alvão (PNA), salientando, no entanto, que agora é "preciso olhar para o futuro".
O fogo destruiu pastos, pinhal, bosques de folhosas e queimou 1.600 hectares dos 7.238 hectares desta área protegida, afetando também a zona da borboleta azul, uma espécie ameaçada que possui colónias no Alvão.
Maria da Graça Carvalho adiantou que o parque será um dos que tiveram "um maior prejuízo na questão dos grandes valores ambientais" e, por isso, é preciso um "cuidado especial para o Alvão".
"É um parque pequeno, mas com uma grande riqueza ambiental e, infelizmente, não foi possível proteger essa grande riqueza que não está por todo o parque, que está localizada, mas que alguma dela ardeu", apontou.
A ministra explicou que vão ser delineados planos específicos para cada um dos parques e para cada uma das espécies.
Em alguns casos poderá acontecer uma regeneração natural, mas, acrescentou, terá de ser feita a monitorização.
Quanto ao caso da borboleta azul é necessário monitorizar a população para se perceber o real impacto do incêndio, que "não é imediato".
Trata-se de uma espécie muito frágil e com baixa tolerância a variações no ecossistema, que requer condições ecológicas específicas, com a sua planta hospedeira, a genciana, onde coloca os ovos, e a presença da formiga 'myrmica' que a alimenta no seu formigueiro durante as últimas fases larvares.
"E estão a fazer essa monitorização para ver qual foi o efeito do incêndio nas várias espécies", afirmou a ministra.
Durante a manhã, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), a ministra já tinha anunciado a publicação, hoje, de uma portaria que visa a recuperação dos ecossistemas, decorrente do decreto-lei que já estabelecia a compensação à perda de rendimento das empresas e agricultores.
"No Ministério do Ambiente e Energia concentramos a nossa portaria em toda a rede das áreas protegidas que tiveram um impacto grande dos incêndios e, para cada uma dessas áreas, a nossa proposta é haver um contrato-programa em que é listado o que é necessário fazer, começando pelas obras de grande emergência", realçou.
Algumas dessas intervenções, avançou, já estão a ser feitas pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), nomeadamente no que diz respeito à retenção de cinzas para evitar contaminar as águas, ou retenção dos solos para evitar derrocadas.
"Portanto, listar todas essas obras que são necessárias, reparar caminhos e pontes, a sinalética, e depois uma segunda parte de medidas mais estruturantes do restauro da natureza, da renaturalização", acrescentou.
Será feita a monitorização do restauro natural, haverá novas plantações e serão criadas zonas tampão, com mistura de árvores.
"Nota-se em vários locais que tenho visitado, quando há uma mistura de árvores que têm mais humidade, como os carvalhais, serviram de tampão ao incêndio", realçou.
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