Numa cerimónia hoje realizada à chegada do navio à Base Naval de Lisboa, no Laranjeiro, no concelho de Almada, o ministro Nuno Melo condecorou os militares envolvidos na missão com a medalha da Defesa Nacional pelos serviços prestados na missão humanitária em Cabo Verde.
Após as cheias registadas no inicio de agosto e que afetaram a população das ilhas de São Vicente e Santo Antão, em Cabo Verde, Portugal enviou o navio NRP Sines com 56 militares a bordo, equipamentos para remoção de escombros, uma dessalinizadora para o hospital, 'drones' para recolha de imagens aéreas e mergulhadores, para apoiar a população.
Segundo o ministro, nas ilhas de São Vicente e Santo Antão, o cenário encontrado era de 80 mil pessoas sem acesso a água potável, milhares de casas alagadas pela lama e um número significativo de desalojados pelo que "a intervenção dos marinheiros do NRP (Navio da República Portuguesa) Sines foi nessa medida decisiva para restabelecer condições básicas de vida e devolver dignidade às populações",
Nuno Melo adiantou que os militares portugueses levaram às populações "coisas tão importantes, ainda que aparentemente simples, como o fornecimento de água potável, a reparação da dessalinizadora que permitiu devolver a capacidade de produção, a distribuição de centenas de refeições, a remoção de lama de habitações, o apoio às operações de busca e salvamento, bem como a recolha de imagens com recurso a drones e entre outras medidas essenciais".
"A presença do Sines e da sua guarnição foi uma luz de ânimo que transmitiu confiança e fê-lo transportando também a bandeira de Portugal e todo o significado de uma pátria que tem em Cabo Verde e nos cabo verdianos uma nação amiga e um povo irmão. São gestos como estes que dão verdadeiro significado à entreajuda e à cooperação entre povos unidos pela língua portuguesa e por laços históricos e afetivos que realmente o mar não separa", frisou
O navio da marinha NRP Sines encontrava-se desde abril numa missão de mar aberto e preparava-se para regressar a Portugal quando foi enviado para Cabo Verde.
"A chegada do NRP Sines representa muito mais do que o fim de uma missão. É o culminar de uma missão de mais de quatro meses, que projetou Portugal no Mundo através da iniciativa Mar Aberto 2025, mas é também o regresso a casa daqueles que são marinheiros que transportam esperança e que, dando o exemplo, voltaram atrás para outra missão de apoio humanitário às populações afetadas pelas cheias em Cabo Verde", frisou.
Na missão mar aberto o NRP Sines navegou do Atlântico ao Índico, aportando em 11 países, e, segundo o ministro, realizou em cada escala atividades de cooperação bilateral no domínio da defesa.
Em declarações aos jornalistas o comandante do NRP Sines, Silva Santos, explicou que no momento em que chegaram à ilha identificaram rapidamente quais seriam as prioridades para repor a normalidade na ilha, e uma delas era a reposição da água.
"Não havia água na ilha, e portanto, paralelamente, o navio continuou a produzir e a ir buscar água a Santo Antão, para conseguir fornecer aos serviços críticos da ilha, nomeadamente ao hospital", disse.
Questionado sobre a condecoração hoje recebida, o comandante disse que é uma consequência do trabalho desenvolvido, mas que as missões não são levadas a cabo com o objetivo de receberem algo.
"A nós o que nos interessa sempre, enquanto militares, e isto é a nossa forma de pensar, é que vamos dar o nosso melhor", disse.
Na sua intervenção o ministro da Defesa Nacional fez ainda referência ao apoio dos militares de todos os ramos das forças armadas no combate aos fogos que atingiram o território português, um total de nove mil.
"É importante que o povo português saiba que as Forças Armadas estiveram sempre empenhadas no dispositivo especial de combate a incêndios rurais, em missões em terra como em missões no mar", disse adiantando que estiveram nas zonas mais criticas a par de outras entidades.
Nuno Melo frisou que "Portugal inteiro tem de saber que os militares não estão fechados nas bases nem nos quartéis.
"Estiveram e continuam a estar empenhados na vigilância, na deteção e no rescaldo, também no combate, no reconhecimento aéreo, disponibilizando bases para o uso de drones, com máquinas de rasto e de engenharia militar, nas comunicações, no apoio psicológico e no apoio logístico e sanitário, disponibilizando camas e apoio ao abastecimento dos operacionais", disse.
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