"Criámos um pequeno incentivo de 100 euros por hectare para os proprietários removerem lenha e outro material nas áreas ardidas, para que rapidamente haja uma renovação ecológica daqueles terrenos e que é o triste cenário que temos", disse o presidente da Câmara, Carlos Santos.
Entre os apoios aprovados, o presidente da Câmara de Sernancelhe destacou também à agência Lusa a "atribuição de alimentação, como feno e palha", para quem tem animais, incluindo "alimentação das colónias de abelhas".
Ainda no setor agrícola, o Município de Sernancelhe atribuirá fertilizantes, adubos e outros produtos agrícolas, e apoiará na substituição de plantações plurianuais, assim como na de castanheiros ou oliveiras afetadas pelos incêndios.
No setor empresarial, Carlos Santos destacou "um apoio a fundo perdido por número de trabalhadores, ou seja, um pequeno incentivo único de 200 euros por trabalhador" de empresas ou cooperativas.
O regulamento hoje aprovado, disse o autarca, é uma "resposta de emergência e medidas de prevenção e de relançamento da economia, complementares às que venham a ser definidas e fixadas pelo Governo".
"E é também uma réstia de esperança que queremos dar aos nossos munícipes", realçou.
O apoio "tem caráter temporário" e é em "forma de subsídio não reembolsável" com "caráter de complementaridade ao autofinanciamento" que também passa pela "isenção, total ou parcial, do pagamento de taxas municipais" em "regime excecional e temporário, não cumulável com outras medidas extraordinárias".
"O que nos preocupa e ainda vamos ver de que forma é que podemos ajudar, juntamente com o Governo, são os proprietários que dependem 100% dos soutos. O castanheiro demora 15 a 20 anos a ser rentável e temos de arranjar uma solução de forma a não desistirem, mas terem sustento", afirmou.
O regulamento, com 25 artigos, irá no dia 12 de setembro à Assembleia Municipal para votação e a ideia "é evitar a discussão pública, porque é uma situação de emergência e, se assim for, entra em vigor no dia seguinte" à eventual aprovação.
O fogo que chegou a Sernancelhe teve origem em dois incêndios -- um que deflagrou no dia 13 em Sátão (distrito de Viseu) e outro no dia 09 em Trancoso (distrito da Guarda), e que no dia 15 se tornou num só, afetando num total 11 municípios dos dois distritos.
Sátão, Sernancelhe, Moimenta da Beira, Penedono e São João da Pesqueira (distrito de Viseu); e Aguiar da Beira, Trancoso, Fornos de Algodres, Mêda, Celorico da Beira e Vila Nova de Foz Côa (distrito da Guarda) foram os concelhos atingidos.
Esse incêndio entrou em resolução pelas 22h00 de dia 17.
Portugal continental foi afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão em julho e agosto, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Os fogos provocaram quatro mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.
Segundo dados oficiais provisórios, até 23 de agosto arderam cerca de 250 mil hectares no país, mais de 57 mil dos quais só no incêndio que teve início em Arganil.
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