"Cerca de um em cada três (31,7%) afrodescendentes sofreram discriminação em Portugal. A discriminação sofrida é múltipla e mais frequente do que a observada na população total", refere o INE na divulgação dos dados, para assinalar o Dia Internacional dos Afrodescendentes, que se celebra em 31 de agosto.
Quase três quartos (72,8%) dos afrodescendentes consideraram existir discriminação em Portugal e mais de metade (55,2%) já testemunhou situações de discriminação.
Os dados foram recolhidos no âmbito do Inquérito às Condições Origens e Trajetórias da População Residente em Portugal (ICOT).
Segundo o ICOT, em 2023 residiam em Portugal 462,4 mil afrodescendentes, dos quais 201,6 mil (2,7%) eram de primeira geração, 238,6 mil (3,1%) de segunda geração e 22,3 mil (0,3%) de terceira geração.
"A população afrodescendente apresentava uma estrutura etária mais jovem e mais escolarizada do que a população total, tendência particularmente evidente nos afrodescendentes de segunda e terceira geração", sublinhou o INE.
Quase metade (48,2%) dos afrodescendentes de primeira geração "autoidentificaram-se com o grupo étnico negro" e quase dois terços (63,4%) dos de segunda e terceira geração "com o grupo étnico branco".
"Comparativamente ao total da população, os afrodescendentes apresentavam uma maior proporção de população empregada e mais de um terço dos de primeira geração (36,2%) tiveram necessidade de trabalhar enquanto estudavam", referiu o INE no documento hoje divulgado.
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