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Homens como Cavaco e Passos, "infelizmente, não vejo nenhum na política"

José Maria Ricciardi acredita que o Estado precisa de uma "reforma" e que não há nenhum homem na política neste momento que o conseguisse fazer como Mário Soares, Sá Carneiro, Cavaco Silva ou Passos Coelho. Nesta senda, o ex-presidente do Banco Espírito Santo Investimento enfatiza que não reconhece "coragem neste Governo nem na oposição".

Homens como Cavaco e Passos, "infelizmente, não vejo nenhum na política"
Notícias ao Minuto

09:40 - 20/06/24 por Notícias ao Minuto

País José Maria Ricciardi

Em entrevista à CNN Portugal, na quarta-feira, José Maria Ricciardi lançou algumas farpas ao atual Governo, sublinhando que não vê "onde está o dinheiro para fazer" todos os investimentos prometidos, uma vez que acredita que o PRR "não vai conseguir cobrir de maneira nenhuma" e a banca "não vai com certeza cobrir todos os brutais encargos destes investimentos". E admitiu ainda ter dúvidas de que o Orçamento do Estado possa sequer vir a ser aprovado.

Para o ex-presidente do Banco Espírito Santo Investimento, "é preciso reformar o Estado", "pagar bons salários", deixar de ter um "Estado gigantesco". "E eu não reconheço a nenhum partido e a nenhum líder, dos que estão neste momento no Parlamento, coragem para fazer essa reforma", atirou, especificando que não identifica "coragem neste Governo nem na oposição".

"Nós estamos nesta situação em que, de facto, somos um país pobre e temos vindo a empobrecer por falta de coragem, na minha opinião, política. As únicas pessoas que, muito rapidamente, eu reconheço que tiveram coragem e que fizeram alguma coisa de importante desde o 25 de Abril foi o doutor Mário Soares, em primeiríssimo lugar […]. Em segundo, o doutor Sá Carneiro, outro homem corajoso, mas que infelizmente não teve muito tempo porque teve uma morte precoce. O terceiro, o professor Cavaco Silva, que sim, esse quando governou, governou com coragem a fazer aquilo que entendia, a fazer reformas, nunca tendo qualquer receio e teve duas maiorias absolutas […] E finalmente, o último, o doutor Pedro Passos Coelho", enumerou, adiantando que homens como estes "infelizmente, neste momento", não vê "nenhum na política".

Ainda fala com Ricardo Salgado? "Desde os acontecimentos, nunca mais"

Ricciardi reiterou, na mesma entrevista, o que disse em tribunal durante o julgamento do caso EDP: que o primo Ricardo Salgado o informara que tinha tido influência junto de José Sócrates, então primeiro-ministro, para nomear Manuel Pinho como ministro da Economia. Apesar de ambos os ex-governantes terem já contestado estas afirmações, o ex-presidente do Banco Espírito Santo Investimento mantém as suas declarações.

Sobre o processo BES, onde é testemunha do Ministério Público (MP), Ricciardi afirmou que é "desagradável" que este tenha demorado mais de 10 anos a ir a julgamento mas que o facto de ser "um processo brutal, o maior processo da história judiciária", pode justificar em parte a demora.

Questionado sobre se ainda fala com o primo, também também arguido no caso BES, Ricciardi garantiu que "desde os acontecimentos, nunca mais". "Tive a oportunidade de dizer que hoje em dia vejo a vida de maneira diferente e não lhe desejo mal nenhum, apesar de estar muito triste pela destruição de um grupo que tinha 150 anos e que primava pela seriedade e pela honestidade", assinalou, reconhecendo que com isto tudo a família Espírito Santo "já não é o que era". Não obstante, "comparado com a maioria dos portugueses, vive muito bem", fez notar, rejeitando que possa estar a passar por dificuldades económicas.

Leia Também: Espírito Santo em dificuldades? "Comparado com a maioria vive muito bem"

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