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Centro de recuperação de feridos da guerra na Ucrânia é exemplo

O novo centro de recuperação de feridos da guerra na Ucrânia, localizado em Ourém, é um exemplo para a Europa, sendo necessários muitos mais para tratar 70 mil amputados ucranianos, disse a associação portuguesa responsável pelo projeto.

Centro de recuperação de feridos da guerra na Ucrânia é exemplo
Notícias ao Minuto

19:20 - 12/06/24 por Lusa

País Ucrânia

um projeto tão importante para a Ucrânia, que eles querem que sirva de exemplo para outros países e outras organizações não-governamentais acreditarem que é possível criar cinco, seis, dez centros destes na Europa. Dez centros como este podem atender quase mil feridos por ano", disse hoje à agência Lusa Ângelo Neto, da associação Ukrainian Refugees UAPT.

Em declarações a partir de Kiev, capital da Ucrânia, onde está a acompanhar o primeiro grupo de 15 militares feridos, que chega na sexta-feira a Portugal, Ângelo Neto citou um responsável clínico de uma clínica de reabilitação local, que estimou que a guerra que se seguiu à invasão russa de fevereiro de 2022 tenha provocado, até hoje, mais de 70 mil militares ucranianos amputados, a precisar de reabilitação clínica.

A criação de novos centros de recuperação na Europa, advogou o dirigente associativo, "para além de ser um grande alívio para o sistema de saúde ucraniano, é uma forma de os integrar na preparação para a [eventual adesão à] União Europeia em termos de formação para atendimento [médico] de guerra na Europa".

Com um total de sete hectares e 4.000 metros quadrados de área edificada, o centro de recuperação localizado em Aldeia Nova, no município de Ourém, distrito de Santarém, tem cerca de 50 quartos -- resultantes da reabilitação do edifício principal, um antigo seminário, que estava degradado e abandonado -- refeitório, cozinha, áreas de fisioterapia e de tratamentos diversos, bem como serviços complementares de atendimento psicológico e acolhimento de estadia.

Segundo Ângelo Neto, está também concluído o ginásio e uma área de lazer em redor do edifício, com vinha, jardim e hortas.

Por concluir estão a projetada piscina e, numa zona florestal anexa, 26 bungalows para famílias de refugiados ucranianos em Portugal, cuja edificação deverá começar durante o próximo verão, disse.

A equipa técnica da associação Ukrainian Refugees UAPT que irá receber, a partir de sexta-feira, os primeiros 15 militares ucranianos feridos (que chegam acompanhados por quatro fisioterapeutas do exército da Ucrânia), todos amputados, é constituída por dois fisioterapeutas, um fisiatra, dois psicólogos bilingues e dois cozinheiros, adiantou.

"Os feridos que estiveram na frente de batalha estão muito abalados psicologicamente e não gostam de estar no hospital. Mas, face às ameaças constantes de bombardeamentos, só podem ser tratados nos hospitais e não conseguem [na Ucrânia] fazer um percurso tranquilo de estímulo dos seus membros na natureza, como vão poder fazer em Portugal", notou Ângelo Neto.

Depois de terminada a reabilitação deste primeiro grupo -- cuja duração será estipulada pelos médicos que os acompanham -- e do seu regresso à Ucrânia, o dirigente da associação Ukrainian Refugees UAPT frisou que está prevista a chegada a Portugal de um segundo grupo, "já maior, com mais casos difíceis, e que vai precisar de alguma reconstrução plástica ou cirúrgica", declarou.

A reconversão do antigo seminário teve um custo estimado de 1,5 milhões de euros, contando com parcerias de diversas empresas nacionais, contributos de voluntários e da sociedade civil, assim como de uma organização cristã estrangeira.

Leia Também: Ucrânia. Primeiro grupo de feridos de guerra chega sexta-feira a Portugal

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