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"Enquanto Israel negar direitos, 7 de outubro pode voltar a acontecer"

 O embaixador da Palestina em Lisboa admitiu hoje que ataques a Israel como o de 07 de outubro de 2023 podem "voltar a acontecer", afirmando que "não haverá paz" enquanto Israel negar direitos aos palestinianos.

"Enquanto Israel negar direitos, 7 de outubro pode voltar a acontecer"
Notícias ao Minuto

10:22 - 29/05/24 por Lusa

País Entrevista

"Enquanto Israel negar os direitos aos palestinianos, não haverá paz. E o que aconteceu a 07 de outubro [de 2023], por exemplo, pode voltar a acontecer. A única mensagem segura é reconhecer os direitos dos palestinianos, que é a única segurança que Israel pode obter através do seu vizinho para estar também seguro e protegido e viver com dignidade. Mas enquanto a liberdade dos palestinianos for negada, é de esperar que haja violência", afirmou Nabil Abuznaid à agência Lusa, em Lisboa.

O ataque do grupo islamita palestiniano Hamas em solo israelita fez mais de um milhar de mortos e mais de duas centenas de pessoas foram raptadas, levando à guerra na Faixa de Gaza, onde os islamitas afirmam que as tropas israelitas já mataram mais de 36 mil pessoas.

O diplomata palestiniano admitiu que todas as partes, sobretudo os palestinianos "estão cansadas da violência", uma vez que o conflito israelo-palestiniano decorre "há demasiado tempo" e que deve terminar rapidamente.

Para tal, prosseguiu, este é o "momento certo" para a comunidade internacional atuar. 

"Chega de críticas. Se criticam [o primeiro-ministro israelita, Benjamim] Netanyahu, e fazem-no também agora, o que é isso trouxe de bom ou o que fez de bom para os palestinianos que estão a sofrer? Nada", afirmou o embaixador.

Para Abuznaid, Netanyahu "não se preocupa com nenhum direito internacional".

"Ao Tribunal Penal Internacional [TPI], ao Tribunal Internacional de Justiça [TIJ, da ONU], às próprias Nações Unidas, Netanyahu não dá ouvidos a ninguém. E ainda dizem que devíamos pôr na cadeia as pessoas que estão no TPI", observou Abuznaid, realçando que nem o secretário-geral da ONU, António Guterres, serve e que "devia ser expulso" do cargo.

O embaixador palestiniano em Lisboa lembrou, sem precisar a data, as palavras proferidas por Ariel Sharon, ex-primeiro-ministro israelita (2001/06), que morreu em 2014, e foi comandante do exército de Israel desde a sua criação, em 1948. 

"Sharon disse uma vez que os judeus têm o direito de julgar qualquer pessoa ou de levar qualquer pessoa no mundo a tribunal, mas que ninguém no mundo tem o direito de levar um judeu a tribunal. Isso significa que o que aconteceu com os nazis deu autorização aos israelitas ou aos judeus para fazerem o que quiserem

"[Atualmente] esta é a mentalidade. 'Porque o que nos aconteceu a nós, judeus, significa que podemos fazer o que quisermos'. Não. Injustiça é injustiça, seja contra judeus ou contra palestinianos, contra árabes palestinianos, contra qualquer pessoa", acrescentou.

Abuznaid mostrou-se, por outro lado, "animado" com o movimento universitário um pouco por todo o mundo, que se tem manifestado contra o que considera ser "o genocídio cometido pelos israelitas contra os palestinianos".

"As coisas estão a mudar. Já não é a mesma coisa que nos é transmitida pelos meios de comunicação social, que são controlados pelo governo, nem pelas pessoas que foram afetadas pelo Holocausto, que, à mesa de jantar, falam aos filhos do Holocausto e de Israel", explicou.

"Atualmente, é a outra história. É o outro lado. Os filhos dizem aos pais: "Hoje queremos falar-vos dos palestinianos. Ouvimos o suficiente sobre a história dos judeus pelos nazis. Hoje, estamos a falar-vos do que acontece aos palestinianos. E eu vi muitas reações de orgulho de pais norte-americanos quando os seus filhos são presos nas universidades", acrescentou.

Por isso, prevê Abuznaid, Israel "vai demorar muitos anos a corrigir os danos causados por estes atos contra os palestinianos, pela guerra terrível, pelo sangue contra palestinianos inocentes, mulheres e crianças"

"Estamos numa nova era. E o meu conselho aos israelitas é que vejam os palestinianos como pessoas ou vizinhos. Eles precisam de paz e justiça. Precisam de viver com dignidade. Estou agora na idade da reforma. E os meus filhos estão a fazer o mesmo caminho que eu, a manifestar-se nas mesmas estradas que eu, em Washington. Fui preso durante a guerra de 1982, quando se deu o cerco em Beirute. O meu filho foi preso em Washington, agoira. E orgulho-me disso", concluiu.

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