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Cinema São Jorge acolhe festa para assinalar criação do Estado de Israel

Nas redes sociais são muitos os que se mostram contra a realização do evento comemorativo dos 76 anos de Israel, marcado para dia 22 de maio. O Comité de Solidariedade com a Palestina já exigiu o seu cancelamento, assim como o Bloco de Esquerda. Já a EGEAC defende a "diversidade, pluralismo e a liberdade" dos eventos realizados pelo São Jorge.

Cinema São Jorge acolhe festa para assinalar criação do Estado de Israel

O Cinema São Jorge, em Lisboa, acolhe, na próxima quarta-feira, 22 de maio, a festa do 76.º aniversário da criação do Estado de Israel.

De acordo com o que o Notícias ao Minuto conseguiu apurar, o evento comemorativo é promovido pela embaixada israelita em Lisboa e comemora a "independência" de Israel.

Já o espaço, segundo o site Esquerda.net, foi cedido pela Câmara Municipal de Lisboa, algo que o Notícias ao Minuto tentou confirmar junto da autarquia, que remeteu explicações para a EGEAC, entidade gestora do Cinema São Jorge.

No domingo, ao ter conhecimento da realização deste evento, a vereadora bloquista Beatriz Gomes Dias entregou um requerimento dirigido ao presidente da Câmara, Carlos Moedas, pedindo que este apoio seja retirado.

O Bloco de Esquerda (BE) considera esta situação "inaceitável visto que há mais de sete meses que Israel está a levar a cabo um genocídio em Gaza que, de acordo com as Nações Unidas, já matou mais de 34 mil palestinianos, incluindo 7.797 crianças e 4.959 mulheres".

"É impossível de aceitar que Lisboa acolha uma celebração promovida pela Embaixada de Israel num momento em que esse Estado está a perpetrar um genocídio em Gaza. Pelo contrário, a CML deve demonstrar a sua solidariedade para com o povo palestiniano e condenar o massacre em Gaza", defendeu ainda a vereadora do Bloco.

O Comité de Solidariedade com a Palestina foi o primeiro a reagir à realização do evento. No Instagram, o grupo garante que, anualmente, o aniversário junta "personalidades influentes do panorama político, social, cultural e empresarial português, numa campanha de charme e de propaganda que visa branquear os crimes sionistas", lembrando que, em 2022, o evento realizou-se no mesmo dia em que "a jornalista Shireen Abu Akleh foi executada em Jenin pelas forças de ocupação israelitas".

Desta forma, "é com estranheza" que o Comité diz ver "um espaço cultura da Câmara de Lisboa (CML) associar-se a um evento desta natureza".

"Não podemos aceitar que a CML e a EGEAC se tornem cúmplices destes crimes, acolhendo nos seus espaços a celebração dos mesmos, pelo Estado que os comete com total impunidade. Não aceitamos que espaços culturais de propriedade municipal sejam utilizados em ações de propaganda e de branqueamento de um estado genocida", escreveram os responsáveis, acrescentando que repudiam a realização do evento e exigem às entidades responsáveis o cancelamento do mesmo.

"Os espaços culturais de Lisboa não podem ser palco nem pano de fundo para a encenação diplomática de quem comete crimes de guerra", concluíram, apelando "a todos os trabalhadores das estruturas culturais da CML e da EGEAC, e todos os atores culturais do país, que condenem a realização deste evento no São Jorge".

A publicação já conta com 4 mil gostos, entre os quais várias caras conhecidas, muitas partilhas e mais de uma centena de comentários.

 "Missão de serviço público"

Questionada sobre a realização do evento, numa altura em que a guerra em Gaza continua a matar milhares de pessoas, a EGEAC explicou que o "Cinema São Jorge pauta a sua atividade de duas formas: por um lado, via programação cultural com parceiros e de modo próprio - no caso, programação essencialmente cinematográfica; por outro, via cedências e aluguer de espaços para iniciativas particulares, como é o caso do evento do próximo dia 22 de maio" e que, nesse âmbito, o espaço "tem acolhido organizações políticas, embaixadas, sindicatos, associações culturais, ONG's e agentes da sociedade civil nos mais diversos contextos".

Desta forma, apesar de Israel estar envolvido numa guerra que divide as opiniões públicas, a EGEAC crê "que essa também é parte da sua missão de serviço público".

"A promoção da diversidade, do pluralismo e da liberdade são, de resto, transversais no trabalho desenvolvido pela EGEAC", realçou a empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural, E.M., S.A., responsável pela preservação, promoção e gestão de alguns dos mais emblemáticos espaços culturais de Lisboa.

Vale recordar que, esta segunda-feira, o Tribunal Penal Internacional (TPI) apelou à emissão de mandados de captura contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, assim como contra vários líderes do Hamas, por crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

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