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25 Abril? "Nenhuma outra revolução ou golpe militar foram comparáveis"

O Presidente da República defendeu hoje que nada na História contemporânea se compara ao 25 de Abril de 1974, pelas mudanças que implicou, num discurso em que lembrou os protagonistas da democracia portuguesa nas últimas cinco décadas.

25 Abril? "Nenhuma outra revolução ou golpe militar foram comparáveis"
Notícias ao Minuto

15:20 - 25/04/24 por Inês Escobar Lima

País 25 Abril

"Por isso, é injusto comparar o incomparável, e esquecer os custos globais daquilo que vivemos, e até os custos da revolução, que só existiu porque a ditadura não soube ou não quis fazer uma transição, ao contrário da vizinha Espanha", considerou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário do 25 de Abril na Assembleia da República.

Na sua intervenção, que durou perto de meia hora, o chefe de Estado evocou, embora sem os nomear, Ramalho Eanes, Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral e Cavaco Silva, entre outros, ao falar dos antecedentes da Revolução dos Cravos e da estabilização do regime democrático.

Cada nome evocado suscitou aplausos distintos, ora mais à direita ora mais à esquerda, na Sala das Sessões, em que estavam presentes, numa das galerias, os antigos chefes de Estado António Ramalho Eanes e Aníbal Cavaco Silva.

"Muitos e muitos outros como eles batalharam e tantas vezes venceram. E outros batalharam e perderam, pouco ou muito. E alguns se desiludiram, no 25 de Abril, outros no 28 de setembro, outros no 11 de março, outros no verão quente, outros no crucial 25 de novembro, que acabou por definir o desfecho da revolução", e ainda "outros ao longo dos últimos 50 anos", referiu.

Neste ponto da sua intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que o 25 de Novembro de 1975, "a justo título, tal como a Constituinte e a Constituição, desde sempre foi pensado para integrar as celebrações de Abril, que só terminarão em 2026".

"Assim a História, faz-se e refaz-se amiúde mais de baixos do que de altos", observou.

Em seguida, o Presidente da República questionou: "E esses altos e baixos terão comparação com qualquer outro movimento político militar, social, na nossa história contemporânea, na história dos nossos parceiros europeus mais antigos ou dos nossos parceiros europeus mais recentes?"

"Não, não tem comparação. O 25 de Abril implicou ao mesmo tempo fim de um império de cinco séculos, fim de uma ditadura de cinco décadas, integração económica e política na hoje União Europeia e quatro mudanças de regime económico", defendeu.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "nenhuma outra revolução ou golpe militar foram comparáveis" na História contemporânea, porque "nenhum outro império europeu moderno enfrentou todos estes desafios ao mesmo tempo em menos de 30 ou 40 anos".

"Nenhum dos nossos parceiros de Leste tivera impérios extraeuropeus nem vivera descolonização, com democratização, com integração europeia e quatro mudanças de regime económico como nós. Por isso, é injusto comparar o incomparável", reforçou.

Antes de lembrar os protagonistas políticos das cinco décadas de democracia, o Presidente da República saudou "os jovens capitães de Abril, os únicos a poderem ter feito o que fizeram em 25 de Abril de 74", expressando "gratidão que não prescreve".

Sobre o processo revolucionário, sustentou que consistiu em "inúmeras revoluções, com projetos diferentes e líderes diversos, militares e civis", com vencedores e perdedores.

"Uns queriam primeiro levar mais longe a sua revolução, outros abreviá-la com a sua Constituição", apontou.

Quanto aos protagonistas, começou por lembrar os antigos presidentes militares Spínola e Costa Gomes, "um destemido detonador de consciências pela sua obra de 73 das vésperas de Abril" e "o outro viria a ser decisivo para evitar um confronto civil em Novembro de 75".

Depois, lembrou o "primeiro Presidente da República eleito", o general Ramalho Eanes "essencial na transição da revolução para a democracia", que saudou "muito efusivamente", referindo que é "sempre teimosamente avesso, na sua humildade, a todas as homenagens, incluindo a do marechalado".

Sempre sem nomear nenhum destes protagonistas, evocou Mário Soares como o homem à frente do partido "que acabou por ser, de facto, o imediato vencedor civil da revolução" e que somou "um percurso singular na revolução e na democracia a uma longa luta contra a ditadura".

Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal e Freitas do Amaral foram lembrados como "três outros principais pais fundadores do sistema partidário", o primeiro pelo "papel muito marcante na génese da democracia" e Cunhal como "o mais antigo e mais persistente lutador contra o salazarismo, com mais provas de resistência na prisão, na clandestinidade e no exílio".

Freitas foi recordado como "o líder da formação mais conservadora, que votou mesmo contra a Constituição, mas que garantiu, em tempos muito difíceis, a existência de um mais amplo leque de pluralismo político em Portugal".

Cavaco Silva, Jorge Sampaio, António Guterres e Durão Barroso -- antigo primeiro-ministro que estava presente na sala -- foram também evocados entre os protagonistas das últimas cinco décadas, que o Presidente da República dividiu em três ciclos: "estabilização do regime político", de 1976 a 1986, "estabilização do regime económico", de 1986 a 1996, e "novos desafios externos e internos", de 1996 até hoje.

[Notícia atualizada às 15h57]

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