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Guterres realça papel do povo na consolidação da democracia pós-25/Abril

O secretário-geral da ONU destacou o papel das pessoas e da vontade popular na consolidação da democracia, referindo-se à mobilização dos portugueses na Revolução dos Cravos, mas também no pós-25 de Abril.

Guterres realça papel do povo na consolidação da democracia pós-25/Abril
Notícias ao Minuto

06:13 - 25/04/24 por Lusa

País 25 de Abril

Num evento organizado pela Missão de Portugal junto às Nações Unidas para assinalar os 50 anos da Revolução dos Cravos, António Guterres afirmou, num discurso sem guião e em inglês: "não teríamos consolidado a democracia se o povo não tivesse ido repetidamente e massivamente às ruas de Portugal para dizer que queria a democracia no nosso país".

Perante centenas de pessoas, incluindo diplomatas de vários países, Guterres recordou vivências pessoais de quando Portugal era liderado pelo ditador António de Oliveira Salazar e partilhou memórias não só do dia da revolução, mas também do período conturbado que se seguiu.

O ex-primeiro-ministro disse saber o que é viver num país sob regime ditatorial, em que se podia ser preso ou torturado por ter uma opinião diferente da do Governo, em que os jornais eram alvo de censura e qualquer forma de associação era proibida.

"Mas o regime ruiu, não só porque estava podre, mas também porque o povo se juntou às Forças Armadas na criação das condições para a revolução", frisou.

"E essa importância das pessoas não ficou limitada ao 25 de Abril de 1974 (...). Demorou dois anos para consolidar a democracia portuguesa", acrescentou, recordando as mobilizações e manifestações pós-revolução.

Além das vivências desse período em Portugal, Guterres ligou ainda o 25 de Abril aos movimentos de libertação africanos que levaram à descolonização.

A partir do mote "Portugal 3D: Democracia, Descolonização, Desenvolvimento", o evento discutiu "O impacto da Revolução dos Cravos no mundo", com a participação dos embaixadores de Moçambique, Brasil, Espanha e Timor-Leste.

A representante permanente de Portugal junto à ONU, Ana Paula Zacarias, defendeu a necessidade de se lutar pela democracia "todos os dias".

"A democracia nunca está garantida. Temos de lutar por ela todos os dias", declarou a diplomata na câmara do Conselho Económico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), especialmente decorada com centenas de cravos vermelhos.

Em declarações à Lusa durante o evento, Ana Paula Zacarias considerou "muitíssimo importante" a mensagem transmitida por Guterres, assim como a partilha da experiência pessoal.

"O secretário-geral reforçou a ideia de que a democracia é vontade popular, num momento em que o mundo atravessa situações dramáticas de autoritarismo e de até regressão em alguns aspetos", observou a diplomata. 

"É o povo quem tem a condução do que deve ser a política, as escolhas políticas em democracia. E isso foi uma mensagem muito clara que o secretário-geral passou: que podemos atravessar tempos difíceis, podemos passar circunstâncias complicadas, mas o povo é sabedor e sabe encontrar os caminhos", acrescentou a embaixadora. 

Entre as centenas de pessoas na plateia estavam, além dos funcionários portugueses nas Nações Unidas, representantes permanentes nas Nações Unidas de países como Angola, Cabo Verde, Ucrânia e Marrocos.

A celebração teve ainda dois momentos musicais: um concerto de guitarra portuguesa de Marta Pereira da Costa, e uma interpretação da "Grândola, Vila Morena" da jovem artista portuguesa Júlia Machado.

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