Meteorologia

  • 19 JULHO 2024
Tempo
28º
MIN 19º MÁX 31º

Cidadãos realizam protesto contra urbanização da Quinta dos Ingleses

Um grupo de cidadãos realiza no domingo, no concelho de Cascais, um cordão humano para contestar o plano de urbanização previsto para a Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, que inclui a construção de vários empreendimentos.

Cidadãos realizam protesto contra urbanização da Quinta dos Ingleses
Notícias ao Minuto

18:24 - 05/04/24 por Lusa

País Carcavelos

Esta ação de protesto, promovida pelos movimentos SOS Quinta dos Ingleses e Alvorada da Floresta, acontece quase seis meses depois de ter sido interposta uma ação judicial contra a Câmara Municipal de Cascais, a empresa de construção Alves Ribeiro e o Colégio St. Julian's, promotores deste plano de urbanização.

"Vai ser uma manifestação que quer ladear a quinta dos dois lados, de forma a unir num abraço, digamos assim, toda a quinta. Contamos que seja muito concorrida esta manifestação. Os apoios que temos tido nas redes sociais são extraordinários", disse à agência Lusa o vice-presidente do movimento SOS Quinta dos Ingleses, Pedro Jordão.

Em causa está o designado Plano de Pormenor do Espaço de Reestruturação Urbanística de Carcavelos-Sul (PPERUCS), que prevê a reestruturação urbanística de uma área de 54 hectares, onde se situa o colégio inglês St. Julian's, em Carcavelos, com a criação de um parque urbano que terá oito hectares, a "preservação e valorização do conjunto edificado da Quinta dos Ingleses" e um empreendimento de "usos habitacional, de comércio, de serviços, hoteleiro e outros".

Este projeto, cujo promotor é a empresa Alves Ribeiro, tem sido contestado por várias associações ambientalistas e sociais do concelho de Cascais, no distrito de Lisboa, nomeadamente pelos movimentos SOS Quinta dos Ingleses e Alvorada da Floresta.

"No fundo, os oito hectares que serão o parque urbano, anunciado pela Câmara Municipal de Cascais, correspondem ao corredor central do Parque Eduardo XVII, para se ter uma ideia. O Parque Eduardo XVII tem 26 hectares, portanto os oito corresponderão a sensivelmente um terço", apontou.

Segundo sublinhou Pedro Jordão, "existe uma maior sensibilização para o problema, numa altura em que os acessos ao parque começam a ser vedados, uma vez que se prepara o início da intervenção.

O anúncio da intervenção na Quinta dos Ingleses foi feito há um mês pelo vice-presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, durante uma reunião da Assembleia Municipal.

Na ocasião, o autarca social-democrata afirmou que será naquele espaço que irá "nascer o maior parque urbano na freguesia de Carcavelos" e que estará concluído no verão de 2025.

Entretanto, o vice-presidente do SOS Quinta dos Ingleses adiantou que a associação já pediu uma reunião à nova ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, para discutir este tema.

Por sua vez, num comunicado divulgado hoje, o partido PAN (Pessoas-Animais-Natureza) anunciou que deu entrada esta semana no parlamento com um projeto de resolução que recomenda ao Governo que promova a salvaguarda e valorização da Quinta dos Ingleses, como paisagem protegida de âmbito local.

"No próximo domingo, dia 07 de abril, a porta-voz do PAN, Inês de Sousa Real, estará na Quinta dos Ingleses, em Carcavelos, naquela que é anunciada como a "última manifestação para salvar o ecocídio" da Quinta dos Ingleses", pode ler-se na nota divulgada hoje pelo partido.

A Lusa contactou a Câmara Municipal de Cascais, mas, à semelhança de situações anteriores, a autarquia escusou-se a prestar qualquer tipo de comentário.

Em maio de 2021, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreiras (PSD), afirmou no parlamento que a autarquia não tem capacidade para travar o projeto de urbanização da Quinta dos Ingleses, alegando que isso implicaria o pagamento de uma "indemnização incomportável", uma vez que os promotores "têm direito adquirido sobre aqueles terrenos".

"Teremos todo o interesse em preservar a área da Quinta dos Ingleses desde que o parlamento cumpra a sua parte e crie um instrumento jurídico que permita ao Governo travar o processo", afirmou o autarca na Comissão de Ambiente, Energia e Ordenamento do Território da Assembleia da República.

Leia Também: Lisboetas: Capricciosa faz 18 anos e abre no Cais do Sodré

Recomendados para si

;
Campo obrigatório