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"Compromisso" entre saúde e clima foi reconhecido, mas deve ser reforçado

O secretário de Estado da Saúde defendeu hoje o reforço do duplo compromisso que tem de existir entre a saúde e o ambiente, considerando que são duas áreas indissociáveis, seja na adaptação ou mitigação das alterações climáticas.  

"Compromisso" entre saúde e clima foi reconhecido, mas deve ser reforçado
Notícias ao Minuto

10:45 - 03/12/23 por Lusa

País COP28

A saúde tem passado despercebida nas conferências das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, mas, pela primeira vez, o tema vai estar em destaque na 28.ª cimeira (COP28), no primeiro dia do programa temático de debates e atividades, hoje dedicado à saúde, paz e assistência de emergência e social no contexto da crise climática.

A relação entre as duas áreas é indissociável e a sua discussão na COP28 representa, finalmente, "uma mudança de paradigma", disse à Lusa o secretário de Estado da Saúde, Ricardo Mestre, que está no Dubai, Emirados Árabes Unidos, para participar na chamada cimeira do clima.

"Vamos ter a primeira reunião ministerial conjunta e vamos ter oportunidade de reforçar o compromisso do país com estas matérias relacionadas com a sustentabilidade ambiental e o impacto que elas têm na saúde, ou que a saúde tem na sustentabilidade ambiental", explicou.

É esse duplo compromisso que Ricardo Mestre espera ver reforçado por todos os países no final da COP28, que termina em 12 de dezembro.

De um lado, estão os impactos das alterações climáticas sobre a saúde das populações, com o aparecimento ou reaparecimento de doenças ou mudanças nos picos de mortalidade. É, sobretudo, nesse último aspeto que a crise climática começa a fazer-se sentir em Portugal.

"São diferentes daquilo a que estamos habituados. Agora vamos tendo vários picos de mortalidade ao longo do ano, muitos deles relacionados com excesso de calor", explicou o governante.

Torna-se, por isso, cada vez maior a necessidade de monitorizar melhor o estado de saúde das populações e de conhecer melhor os fenómenos, considerou, referindo o trabalho de Portugal nesse âmbito, por exemplo, através do programa da Rede de Vigilância de Vetores (REVIVE).

Da responsabilidade do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, o programa monitoriza a atividade de mosquitos, caracteriza as espécies e a sua ocorrência sazonal, e identifica agentes patogénicos importantes em saúde pública.

"Permite fazer uma vigilância epidemiológica muito fina de alguns vetores, de alguns mosquitos e, a partir daí, perceber como eles se comportam na nossa comunidade, no nosso meio ambiente e podermos antecipar algumas das necessidades de resposta em saúde", explicou.

Mas a relação entre a saúde e o clima existe também do ponto de vista dos impactos ambientais do setor que, "se fosse um país, seria o quinto país mais poluidor do mundo".

"O que queremos é que não haja nenhum investimento feito no setor da saúde que não contribua ativamente para a melhoria da eficiência ambiental", disse Ricardo Mestre, sublinhando que Portugal tem estado comprometido em melhorar a sustentabilidade do setor, com metas mais ambiciosas em termos de eficiência energética, hídrica e material.

No caso do consumo energético, o Governo pretende reduzir em 40% face aos níveis pré-pandemia, fixando em 20% a meta em relação ao consumo de água e à produção de resíduos.

Ao longo do dia, a saúde vai ser debatia na COP28 em vários eventos paralelos, mesas redondas, apresentações e debates, no primeiro de sete dias temáticos.

São esperados ministros da Saúde e delegações de saúde de mais de 100 países, pela primeira vez numa COP e, segundo a presidência da COP28, são esperados vários anúncios sobre financiamento de programas sobre saúde no contexto de emergência climática global, para dar resposta às "necessidades e prioridades" dos países.

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