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"Não é uma bactéria normal". Origem de surto no Santa Maria desconhecida

Serviço de Neonatologia do hospital de Santa Maria foi encerrado devido a uma bactéria multirresistente.

 "Não é uma bactéria normal". Origem de surto no Santa Maria desconhecida
Notícias ao Minuto

20:35 - 27/07/23 por Notícias ao Minuto

País Santa Maria

O diretor de Neonatologia do Hospital de Santa Maria, André Graça, revelou, esta terça-feira, que a bactéria multirresistente que obrigou a encerrar este serviço já tinha aparecido outras vezes no hospital, "mas nunca tinha sido detetada" naquela unidade, sendo desconhecida, para já a sua origem.

Em declarações à SIC Notícias, depois de ser conhecido que a presença de uma bactéria multirresistente obrigou a encerrar o serviço de Neonatologia do hospital de Santa Maria, havendo vários bebés infetados, André Graça começou por notar que "a principal consequência" da situação é a "incapacidade de receber novos doentes".

O responsável notou que se tentou manter a situação controlada, com salas diferentes, com a separação dos "doentes colonizados dos não colonizados", no entanto, tudo mudou "quando se percebeu que a situação já se tinha propagado às varias salas" e havia  "um número significativo de doentes colonizados".

"Não quer dizer que estejam infetados, quer dizer que têm a bactéria no seu sistema gastrointestinal, não quer dizer que estejam doentes por causa da bactéria", explicou.

"Mas, de qualquer forma, são doentes muito suscetíveis, e portanto, o nosso receio é sempre que eles se possam transformar, não em colonizados, mas em infetados", acrescentou ainda.

Segundo o diretor, 11 de 13 bebés internados estão colonizados. "Só há dois bebés que não estão ainda colonizados, mas são bebés que já tiveram contacto", disse, explicando que estas crianças serão testadas a cada três dias para avaliar o estado de colonização de cada uma delas.

Interrogado sobre as consequências, o responsável explicou: "Os bebés prematuros e outros que estão internados em Unidades de Cuidados Intensivos - são unidades muito complexas, como todas as unidades de Cuidados Intensivos, não só Neonatais, mas também Pediátricas e de Adultos - é frequente os doentes terem episódios de infeção, nomeadamente os recém-nascidos, infeção por vezes com bactérias de origem hospitalar, as chamadas infeções associadas a cuidados de saúde", disse.

"O que é diferente nesta situação é que a bactéria que está envolvida neste momento não é uma bactéria normal, é uma bactéria que é multirresistente à maioria dos antibióticos que nós usamos habitualmente para tratar essas infeções e, portanto, causa-nos mais preocupação pelo facto de, no caso da colonização se transformar em infeção, poder haver dificuldade em tratar essa infeção", adiantou.

Interrogado sobre se há grávidas em risco, André Graça explicou que as grávidas "estão numa situação diferente" e que o serviço em causa "só tem recém-nascidos doentes – doentes prematuros e doentes com patologias complexa".

"Neste momento estamos a falar concretamente de uma Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais, portanto, só tem recém-nascidos. A grande maioria deles estão colonizados e, é evidente, há um risco de esta bactéria pode provocar doença em algum deles e é o que nos preocupa na perspectiva da bactéria", admitiu

"A outra problemática que acarreta é de facto a limitação das novas admissões", frisou, notando que, em causa, está uma unidade que recebe recém-nascidos de outras unidades do país porque tem "as valências praticamente todas para os tratar".

Interrogado sobre a origem deste surto, André Graça disse que a mesma é desconhecida.

"É uma bactéria multirresistente que acontece com alguma frequência nos hospitais. No nosso caso, na nossa unidade, nunca tinha sido detectada, mas é uma bactéria que, pelo que sei (...) não é a primeira vez que esta bactéria aparece no hospital. Não sabemos qual é a origem da mesma", disse.

Recorde-se que o Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) já tinha referido que "os bebés positivos estão clinicamente estáveis" e que o Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos do CHULN estava "a acompanhar a situação de acordo com as normas da Direção-Geral da Saúde".

O serviço de Neonatologia do hospital está encerrado para novas admissões e os bebés "não foram nem vão ser transferidos" para outros hospitais.

"A resposta nesta área é assegurada por meios internos do CHULN e através de articulação com a rede durante os procedimentos de boas práticas necessários para resolver a situação", garantiu.

Leia Também: Bactéria obriga a fechar neonatologia do Santa Maria. Há bebés infetados

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