Meteorologia

  • 20 MAIO 2024
Tempo
18º
MIN 13º MÁX 21º

Grupo de católicos pede que novo patriarca seja "centrado no essencial"

Um grupo de católicos de Lisboa enviou uma carta ao Vaticano, defendendo que o próximo patriarca seja "um bispo centrado no essencial" com a "atitude de proximidade e cuidado (...) com todos", em especial os "mais pobres e vulneráveis"

Grupo de católicos pede que novo patriarca seja "centrado no essencial"
Notícias ao Minuto

11:40 - 29/05/23 por Lusa

País Patriarcado de Lisboa

Numa carta enviada ao Dicastério para os Bispos e para o Núncio Apostólico em Lisboa, os subscritores do documento hoje revelado pelo jornal online 7Margens sugerem que "os processos consultivos dentro da Igreja portuguesa, que levam a uma recomendação do Núncio Apostólico à Sé Apostólica sobre a nomeação de bispos para a diocese, considerem uma análise cuidada das necessidades particulares da diocese (...)" e a "adequação entre o perfil traçado e as qualidades individuais e experiência dos candidatos, nomeadamente no que diz respeito a lidar com casos de abuso".

Para o caso do Patriarcado de Lisboa, onde é expectável a substituição do atual patriarca, cardeal Manuel Clemente, por limite de idade, ainda este ano, é defendido na carta que o novo bispo "seja a imagem do Bom Pastor".

"Que tenha a atitude de proximidade e cuidado de Jesus Cristo com todos, em especial com os mais pobres e vulneráveis, doentes, excluídos e marginalizados, não a partir de cima, mas envolvendo-os" e que seja "um bispo livre e humilde", com "movimentos de simples pastor e não de príncipe", defendem os autores da carta.

Desejam, ainda, que seja "uma voz profética", e saiba ler "com desassombro os sinais dos tempos, à luz sempre atual do Evangelho, além do qual não há futuro para a Igreja, não prescindindo da riqueza do parecer do seu clero, do povo de Deus, nas suas várias gerações, e de todos os que o podem ajudar na sua missão".

O futuro patriarca deverá, ainda, dar "sinais claros de conhecer o contexto sociocultural e as transformações que a cada momento acontecem", e que, ao mesmo tempo, "promova uma Igreja sinodal" e chame "toda a comunidade a participar, reconhecendo que o sacramento do batismo confere igualdade e corresponsabilização a todos".

Capacidade de diálogo e de escuta, "capacidade de governar, usando de criatividade pastoral" e o sentido de que a sua missão "é servir com humildade, transparência e sentido de responsabilidade", não sendo um "burocrata de gabinete", mas antes "lute contra o imobilismo do 'adiar' face aos desafios de hoje", são outras qualidades que estes católicos desejam ver no sucessor de Manuel Clemente.

Os subscritores da carta querem ainda que o prelado "tenha profundidade de pensamento e ouse um processo criativo que não se limita a aplicar esquemas herdados, cujas soluções não são indefinidamente nem universalmente válidas", bem como seja "um homem prudente e de coragem", sendo "uma voz que se insurge perante as injustiças e que, apoiado nos valores da Doutrina Social da Igreja, tenha sempre presente a promoção da igualdade e da justiça social".

O jornalista Jorge Wemans, o dinamizador da carta que pediu uma investigação independente sobre os abusos no seio da Igreja em Portugal, Nuno Caiado, a psicóloga Margarida Bruto da Costa, o historiador Pedro Silva Rei, o advogado Paulo Câmara ou a médica Cecília Vaz Pinto são alguns dos autores da carta enviada ao Vaticano e à Nunciatura em Lisboa.

JLG // ZO

Lusa/Fim

Recomendados para si

;
Campo obrigatório