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Deputado lusodescendente defende que Macron "saiu do quadro democrático"

O deputado francês lusodescendente Emmanuel Fernandes, da França Insubmissa, acusa em entrevista à Lusa o Presidente francês de ter saído "do quadro democrático" ao fazer aprovar a sua reforma das pensões sem passar pelo parlamento.

Deputado lusodescendente defende que Macron "saiu do quadro democrático"
Notícias ao Minuto

22:44 - 25/03/23 por Lusa

País Emmanuel Fernandes

"Não se pode inverter assim a democracia só porque não se tem uma maioria no Parlamento. Isto está a chocar as pessoas e mais até do que a própria reforma em si, é a maneira como as coisas se passaram. Esta reforma tornou-se um símbolo da democracia no país e todos compreendemos que Emmanuel Macron saiu do quadro democrático", afirmou o deputado em entrevista à Agência Lusa.

O partido de extrema-esquerda de Fernandes, eleito pela região de Estrasburgo, integra a coligação de esquerda NUPES, que defende que única forma de repor a paz social em França é através da retirada da reforma do sistema de reforma, numa altura em que as manifestações e o clima social em França se agravam.

"Para nós não é uma guerra perdida. Nós consideramos que Emmanuel Macron vai recuar porque não se pode governar eternamente contra o povo. Ele utilizou um dos artigos mais autoritários e antidemocráticos da nossa Constituição, algo que eu lamento, já que a nossa própria Constituição permite ir contra o Parlamento", declarou.

Segundo Emmanuel Fernandes, mesmo dentro da maioria relativa que apoia o Governo nomeado pelo Presidente, começa a haver profundas fendas na confiança política no Presidente, já que muitos deputados tinham preferido votar a lei no hemiciclo da Assembleia, em vez de forçar a sua aprovação pelo artigo 49.3 da Constituição.

"Nós falámos diretamente com os deputados macronistas que queriam que a reforma fosse votada. Também os deputados dos grupos associados à maioria, do MoDem ou Horizontes, nos disseram que preferiam uma reforma chumbada que impô-la através do 49.3. Emmanuel Macron brutalizou a sua própria maioria, que parece ainda apoiá-lo", afirmou.

Para este eleito, que cumpre o seu primeiro mandato na Assembleia Nacional, a principal premissa desta reforma, ou seja, aumentar a idade da reforma para os 64 anos de forma a financiar o fundo de pensões que poderá estar deficitário em 12 mil milhões de euros até 2030, é uma falsa justificação.

"Sabemos agora que o alegado défice das pensões é uma ilusão e o próprio Conselho de Orientação das Pensões, que faz as projeções das pensões, indica que não há qualquer dinâmica incontrolada da despesa. Há muitas outras fontes de receitas para cobrir os 12 mil milhões de euros que podem um dia vir a faltar. Por exemplo, se taxássemos em 02 por cento a fortuna dos 47 multi-milionários franceses, tínhamos esse dinheiro", explicou o deputado, dizendo que os mais ricos de França são "os amigos" do Presidente.

Para Emmanuel Fernandes, a situação de contestação só se vai agravar nos próximos dias devido à imposição de uma lei rejeitada por 68% dos franceses, segundo uma sondagem do gabinete Elabe, que vai levar a bloqueios cada vez maiores em diferentes setores.

"Nós vamos até à retirada da reforma, esse é o nosso objectivo. Da NUPES, dos manifestantes e de todos os franceses. Os bloqueios vão intensificar-se, vai começar a faltar gasolina em todo o lado. Se a economia começar a sentir as consequências, a responsabilidade é de Emmanuel Macron", frisou.

Entre as possibilidades para a saída desta crise está uma remodelação governamental ou a dissolução da Assembleia Nacional, um dos poderes mais importantes do Presidente francês. Emmanuel Fernandes diz que a esquerda está pronta a voltar às urnas.

"Estamos prontos a voltar à urnas amanhã, se for preciso. A democracia está a ser mal tratada em França e poderíamos dar um fôlego democrático ao país. Idealmente, a demissão necessária seria mesmo de Emmanuel Macron porque é ele a causa de tudo que corre mal no país. Ele não consegue gerir o país de forma a garantir a paz social", concluiu.

Leia Também: Macron e Tebboune ultrapassam nova crise diplomática entre Paris e Argel

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