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Fecho da urgência de pedopsiquiatria não põe em causa "cuidados"

A Coordenação Nacional das Políticas de Saúde Mental afirmou hoje que encerramento das urgências de pedopsiquiatria do Hospital Dona Estefânia permite melhorar as respostas programadas, admitindo que a adaptação ao novo modelo "demore algum tempo".

Fecho da urgência de pedopsiquiatria não põe em causa "cuidados"
Notícias ao Minuto

19:42 - 02/03/23 por Lusa

País hospital dona Estefânia

Num esclarecimento enviado à agência Lusa, assinado por Miguel Xavier e Cristina Marques, os representantes da coordenação nacional asseguram que o novo modelo de funcionamento das urgências do hospital em Lisboa não coloca em causa os "cuidados e a segurança dos utentes".

"Esta reconfiguração teve como objetivo principal melhorar o acesso de crianças e adolescentes aos cuidados de saúde mental, tendo em conta os recursos humanos existentes nesta especialidade no momento presente", justificam.

Desde quarta-feira que o Serviço de Urgência de Pedopsiquiatria de Infância e Adolescência no Hospital Dona Estefânia passou a encerrar durante a noite. Com o novo modelo, a partir das 20h00 os casos de saúde mental passam para as urgências pediátricas gerais.

Hoje, o diretor de Pediatria do hospital Dona Estefânia alertou para o aumento de casos de saúde mental, criticando o encerramento noturno das urgências de pedopsiquiatria no hospital, que servem a região de Lisboa e todo o sul do país, e relatou que na primeira noite o novo modelo já revelou fragilidades.

Em concreto, Gonçalo Cordeiro Ferreira relatou a situação de um jovem com problemas psiquiátricos, "muito agressivo", que deu entrada nas urgências durante a madrugada e que teve de ficar no jardim do hospital à espera porque "era muito difícil conseguir contê-lo e não havia 'know-how' capaz de o fazer".

Reconhecendo o incidente, os representantes da coordenação nacional afirmam que, "como é habitual neste tipo de processos, é expectável que a entrada em rotina de novos procedimentos demore sempre algum tempo" e admitem que possam "surgir situações em que os procedimentos não são efetuados totalmente de acordo com a nova regulamentação".

"A implementação deste modelo será acompanhada continuamente, de modo que se possa avaliar a sua efetividade, e efetuar os ajustamentos que forem sendo considerados necessários para garantir os melhores níveis de prestação de cuidados a crianças e adolescentes que recorram a todo o Serviço Nacional de Saúde", acrescentam no esclarecimento.

Em resposta às críticas ao novo modelo, a coordenação nacional justificou o encerramento das urgências pedopsiquiátricas com a falta de profissionais, explicando que o objetivo foi reduzir o número de horas de urgência para melhorar as respostas em ambulatório.

De acordo com os representantes, é aí que "se deve centrar a assistência a esta população", uma vez que o acompanhamento "atempado e eficaz em ambulatório vai reduzir progressivamente o recurso ao serviço de urgência".

Por isso, acrescentam, "num momento em que existe uma escassez significativa de profissionais, não há justificação para alocar uma parte importante das horas semanais de trabalho a serviços de urgência em que a média de atendimentos noturnos é muito baixa, prejudicando dessa maneira as atividades de ambulatório".

Em declarações à Lusa, o diretor de Pediatria do Hospital Dona Estefânia disse ainda que o Centro Hospitalar Lisboa Central, que integra o Hospital Dona Estefânia, propôs que houvesse um pedopsiquiatra de prevenção, mas não foi autorizado.

Agora, quem faz a contenção dos menores que recorrem durante à noite às três urgências metropolitanas - que funcionam no Hospital Dona Estefânia, no Centro Materno Infantil do Norte, que pertence ao Centro Hospitalar Universitário do Porto e no Hospital Pediátrico de Coimbra - são os pediatras, seguindo o modelo da zona norte.

Leia Também: D. Estefânia. Sem urgência, jovem com problemas mentais esperou no jardim

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