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Dupla acusada de assalto a ourivesaria nega sequestro de funcionária

Os dois cidadãos estrangeiros acusados de terem tentado assaltar em abril de 2022 uma ourivesaria em Aveiro negaram hoje ter sequestrado a funcionária, adiantando que estavam embriagados e entraram no estabelecimento apenas para ver um relógio.

Dupla acusada de assalto a ourivesaria nega sequestro de funcionária
Notícias ao Minuto

13:07 - 06/02/23 por Lusa

País Aveiro

Os dois arguidos, de 42 e 50 anos, que se encontram em prisão preventiva, começaram esta manhã a ser julgados no tribunal de Aveiro, num processo em que respondem por um crime de roubo agravado na forma tentada, em concurso aparente com um crime de sequestro.

Nas primeiras declarações ao tribunal, os suspeitos disseram que no dia do assalto, estavam ambos embriagados, porque tinham estado a beber vodka ao almoço, e entraram na loja a "cambalear", para ver um relógio.

Um dos arguidos admitiu que a funcionária teria ficado "stressada", quando os viu naquele estado, e tocou no botão [de alarme], o que fez com as portas da ourivesaria tivessem fechado e a polícia tenha sido chamada ao local.

Afirmou ainda que não entraram na loja com intenção de a assaltar, mas depois, quando estavam a ajudar a funcionária que tinha desmaiado, viram uma mala cheia de ouro aberta e "veio essa ideia à cabeça".

O cúmplice esclareceu que a funcionária estava a mostrar um relógio e começou a desfalecer e ele agarrou-a para ela não cair. Negou ainda que lhe tenham colocado fita adesiva na boca, ou amarrado as mãos e os pés, como refere a acusação do Ministério Público (MP).

Esta tese foi contrariada pela funcionária da ourivesaria, que disse ter sido abordada "de uma forma violenta" pelos arguidos.

A testemunha, que foi ouvida por videoconferência, explicou que perdeu os sentidos "por segundos", tendo-se apercebido apenas que os arguidos lhe taparam a boca e agarraram nos braços.

"Quando voltei a mim estava na sala atrás, sentada e a ser amarrada", afirmou.

A funcionária disse também não se ter apercebido que os arguidos estivessem alcoolizados e referiu ter visto um deles, uns dias antes do assalto, a "sondar" a loja.

O assalto à ourivesaria Crisálida, situada na Avenida Lourenço Peixinho, ocorreu na tarde de 16 de abril de 2022, quando se encontrava no interior do estabelecimento apenas uma funcionária.

Segundo a acusação do MP, consultada pela Lusa, os arguidos entraram na loja e começaram a experimentar relógios. Entretanto, um deles terá agarrado a funcionária pelas costas e colocado um braço à volta do seu pescoço, imobilizando-a, tendo depois os arguidos arrastado a mesma para a parte mais reservada da loja, onde lhe amarraram os pés e as mãos e selaram a boca com uma fita adesiva.

Após terem, alegadamente, imobilizado e silenciado a ofendida, os arguidos calçaram luvas, fecharam a porta de entrada do estabelecimento e esvaziaram o conteúdo de seis malas que continham diversas peças em prata de lei, com um valor superior a 20 mil euros, para o interior de um saco e das mochilas que traziam.

O MP alega ainda que os arguidos tentaram abrir, sem sucesso, o cofre do estabelecimento, onde se encontravam outros bens de maior valor.

O alarme foi dado pelo gerente, que chegou ao estabelecimento cerca das 15:40 e, estranhando o facto de a porta ainda estar fechada e ter visto um relógio pousado em cima do balcão, acedeu remotamente às imagens do circuito de videovigilância do estabelecimento, tomando assim conhecimento do assalto e chamado a PSP, que compareceu no local poucos minutos depois.??????

Ainda de acordo com a investigação, um dos arguidos efetuou três chamadas telefónicas, apelidando o interlocutor de "chefe", sendo que após o último desses telefonemas, os assaltantes libertaram a funcionária e, poucos minutos depois, saíram do estabelecimento, tendo sido de imediato detidos pelos agentes da PSP que tinham montado um perímetro de segurança.

Além destes dois arguidos, as autoridades suspeitam que pelo menos mais dois cidadãos estrangeiros tenham feito parte deste grupo organizado, um dos quais foi intercetado pela GNR uns dias antes do assalto, em Estarreja, quando se encontrava no interior de um carro com matrículas falsas.

Na altura, este indivíduo foi constituído arguido e o veículo em causa foi apreendido, tendo sido encontrados no seu interior objetos ligados à prática de crimes, nomeadamente algemas, luvas e uma arma de eletrochoque "taser".

Nesse sentido, foi extraída uma certidão para permitir que a investigação continue a decorrer para apurar o envolvimento dos demais suspeitos na prática dos factos.

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