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"Não queremos passar imagem de ostentação". Altar 'revisto' quinta-feira

O Bispo D. Américo Aguiar, presidente da Fundação JMJ, pediu aos portugueses para que "deem o benefício da dúvida" às entidades organizadoras deste evento, que decorre em Lisboa entre 1 e 6 de agosto.

"Não queremos passar imagem de ostentação". Altar 'revisto' quinta-feira
Notícias ao Minuto

23:47 - 01/02/23 por Ema Gil Pires

País JMJ

O coordenador da Igreja para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o Bispo D. Américo Aguiar, referiu, na 'Grande Entrevista' da RTP3 desta quarta-feira, que a Igreja não quer "passar uma imagem de riqueza, de ostentação" com as obras previstas para receber este evento internacional.

"Nós não queremos passar uma imagem de riqueza, de ostentação, porque isso também fere os portugueses e os jovens", considerou o Bispo, que admitiu ter existido uma falha na "comunicação daquilo que é o evento".

Isto porque, argumentou, em causa está um evento que, efetivamente, "necessita de certos investimentos que estão previstos desde o início", ou seja, desde que a JMJ foi atribuída a Portugal.

Recordando que aquilo que está em causa é um "pacote de cerca de 35 milhões de euros em investimentos" para este evento, e questionado sobre se a Igreja estará a cometer, com o mesmo, o "pecado da megalomania", o Bispo D. Américo Aguiar pediu que os portugueses "deem o benefício da dúvida" às entidades organizadoras.

"Há quatro anos que estamos a trabalhar, em regime pro bono, para corresponder a uma dimensão de evento que Portugal nunca teve", elucidou ainda o coordenador do projeto. "É uma logística inimaginável. Nem o Euro 2004, nem a Champions, nada disso é comparável. Vamos assistir a algo a que nunca assistimos nas nossas vidas", disse.

O altar-palco da polémica

Sobre o polémico altar-palco do Parque Tejo, que se prevê que receba os eventos de maiores dimensões da JMJ de Lisboa, o coordenador da Igreja para a mesma lembrou que o mesmo "vai ficar para a cidade de Lisboa, para o futuro" - com o seu uso a não se 'fechar' neste evento em concreto.

Ainda assim, garantiu o Bispo, na quinta-feira, "em conjunto com a Câmara Municipal de Lisboa e com a Mota-Engil", vão trabalhar no sentido de "perceber se é possível fazer cortes no Orçamento". "Vamos pedir aos técnicos que cortem tudo o que não é essencial para a segurança e para corresponder às necessidades mínimas" para a realização dos eventos, explicou.

Quais eram os requisitos?

Porém, que requisitos impôs a Igreja para a conceção desta estrutura? Que seja, em primeiro lugar, um local "onde possam estar 2.000 pessoas, o coro, os jovens e outros convidados", prevendo-se agora uma "dimensão de terreno equiparada a 10 campos de futebol", elucidou. Ainda assim, o coordenador da Igreja para a JMJ reconheceu que a estrutura "podia e pode" ser mais pequena - ainda que, argumentou, o "peso maior" nos custos "é da própria estrutura", e não da "área alargada para garantir a participação das pessoas".

O Bispo explicou, ainda, que o palco tem de estar a uma altura ligeiramente elevada, "para ter visibilidade" - da multidão para o altar, e vice-versa. É, portanto, um "palco com muitas necessidades", porque aquilo que se vai passar em cima dele "não é uma exclusivamente uma missa". Porém, concluiu, a este propósito: "Ninguém impõe nada a ninguém. Nem nós, nem as autoridades".

2.º altar-palco no Parque Eduardo VII

Mas há ainda uma outra estrutura que tem vindo a causar grande debate público: um palco que vai ser construído no Parque Eduardo VII, previsto para receber eventos "que podem ir até aos 700 mil participantes". Uma vez mais, o coordenador da Igreja para a JMJ garantiu: "Estamos a trabalhar com a Câmara Municipal de Lisboa para eliminar tudo o que não seja essencial" e de forma a que essa "solução" seja "o mais minimalista possível, correspondendo à segurança e à dimensão do evento".

Sobre se os eventos previstos para este segundo palco não poderiam ser transferidos para o Parque Tejo, o Bispo D. Américo Aguiar destacou que "tudo é possível" e que tal possibilidade está a ser "estudada", embora haja sempre "prós e contras". Há, no entanto, um "problema" que considerou importante: "durante uma semana, um milhão de jovens concentrados, no mesmo sítio, causa algumas dificuldades", ainda por cima se esse local ficar localizado "mais longe do centro" da cidade.

"Não podia ser em Fátima"

Questionado, por outro lado, acerca da possibilidade de os eventos marcados para o tão contestado altar-palco do Parque Tejo poderem, ou não, ser realizados no Santuário de Fátima, o presidente da Fundação JMJ explicou: "Não podia ser em Fátima nem em todas as outras possibilidades que foram estudadas, pois não comportariam o acolhimento de tantas pessoas".

Isto porque, recordou uma vez mais, está previsto que um milhão de jovens, de todos os pontos do mundo, se desloquem até Portugal entre os dias 1 e 6 de agosto deste ano. "Até agora, manifestaram interesse em inscrever-se 400 mil jovens, e 20 mil já pagaram" a inscrição, elucidou.

Calendário e preparação 

Nesta entrevista à RTP3, o Bispo foi ainda questionado sobre se os quatro anos de preparação que as entidades organizadoras tiveram para planear a JMJ não teriam sido suficientes para evitar todas as polémicas. Ao que respondeu: "Fala de quatro anos que não foram exatamente quatro anos. Tivemos uma pandemia, mudanças de responsáveis..."

Apesar disso, garantiu: "Nós estamos no calendário que foi programado para a execução" de toda a infraestrutura necessária para o evento. 

O Bispo fez, ainda, questão de lembrar que a Igreja portuguesa apenas "avançou" com todos os projetos necessários para a organização da JMJ apenas "perante a disponibilidade" de todas as autoridades - Presidente da República, primeiro-ministro e o autarca de Lisboa em funções na altura em que a organização do evento foi atribuída a Lisboa, Fernando Medina.

Já no que toca ao envolvimento do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, em toda esta discussão, o presidente da Fundação JMJ destacou que ele vai "dando as suas sugestões daquilo que é a necessidade de estarmos atentos às necessidades do evento, e àquilo que é a imagem da cidade e do país e as sensibilidades que entram aqui em jogo".

Considerando ainda ser uma "obrigação" sua acompanhar todo o processo de planeamento da JMJ e dos investimentos associados, de modo a ser possível "validar aquilo que é indispensável para o acolhimento de um milhão de jovens em Lisboa", o Bispo D. Américo Aguiar pediu "desculpa aos portugueses" por, de certo modo, ter negligenciado essa função em certos momentos.

A JMJ, vista por muitos como o acontecimento mais emblemático da Igreja Católica, realiza-se este ano em Lisboa, entre 1 e 6 de agosto. As estimativas apontam para que cerca de 1,5 milhões de pessoas se desloquem ao país para marcar presença nas mesmas.

Porém, como elucida esta entrevista do Bispo D. Américo Aguiar à RTP3, toda a organização da mesma tem sido feita de polémicas - as quais prometem 'não dar tréguas' até ao momento da sua realização.

Leia Também: JMJ. Oposição na CML volta a exigir à liderança informação sobre evento

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