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"Qatar não respeita os direitos humanos". Marcelo chega e cumpre promessa

O chefe de Estado vai assistir ao primeiro jogo da seleção nacional.

"Qatar não respeita os direitos humanos". Marcelo chega e cumpre promessa
Notícias ao Minuto

14:17 - 24/11/22 por Notícias ao Minuto

País Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República defendeu hoje no Qatar a importância dos direitos humanos, não só políticos e económicos, mas individuais, a liberdade e a inclusão de todos, incluindo migrantes, e independentemente de orientação sexual e de género.

Durante uma conferência em Doha, com o Presidente do Gana, Nana Akufo-Addo, o chefe do Estado falou dos objetivos de desenvolvimento sustentável, metas globais estabelecidas pela Assembleia das Nações Unidas.

De acordo com um comunicado publicado no site da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa centrou-se no 4.º dos objetivos, uma educação de qualidade. 

"Uma educação de qualidade significa liberdade e inclusão, tolerância, não discriminação nomeadamente em função do género, da etnia, da origem, da orientação sexual e, portanto, o respeito pelos Direitos Humanos. Naturalmente contribuindo para a redução das desigualdades e a luta contra a pobreza", lê-se na nota.

O chefe de Estado considerou ainda, de acordo com a mesma nota, que é impossível cumprir este desenvolvimento sustentável sem educação de qualidade, nomeadamente, "sem deixar ninguém para trás".

As declarações foram feitas durante uma conversa organizada pela fundação Education For All em conjunto com as Nações Unidas, antes da estreia da seleção portuguesa de futebol no Campeonato do Mundo do Qatar.

Veja a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa a partir dos 41 minutos:

Durante a sua intervenção, o responsável defendeu que a coesão social implica "incluir toda a gente, incluir os pobres" e também "os migrantes", implica "incluir pessoas com ideias sociais, políticas, económicas diferentes, até com diferentes orientações -- nós sabemos que cada país tem a sua maneira de pensar -- mas até orientações sexuais e de género", acrescentou.

A propósito da liberdade, referiu: "Claro, aqui temos somente equipas de futebol masculinas. Mas, por exemplo, em Portugal a maioria dos estudantes do ensino superior são mulheres, a maioria das doutoradas são mulheres, estamos acima da média da Europa, estamos a liderar, e isso é tão importante".

Marcelo Rebelo de Sousa, que falou em inglês, apelou a que se aposte e invista no ensino superior, na evolução científica e tecnológica, mas sem esquecer os que não conseguem ter acesso a essa educação, considerando que esta é uma questão de direitos humanos.

"Direitos humanos são direitos sociais, direitos económicos, direitos políticos, mas também direitos individuais, e isso é tão importante. O direito de acesso à educação é vital, faz a diferença. Quando falamos de uma educação de qualidade e inclusiva, falamos do futuro numa visão de longo prazo", declarou.

O Presidente da República vai assistir hoje à estreia da seleção portuguesa de futebol no Campeonato do Mundo do Qatar, num jogo da fase de grupos, contra a seleção do Gana, com início às 19h00 locais (16h00 em Portugal continental), no Estádio 974, em Doha.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha prometido falar sobre direitos humanos no Qatar, após ser criticado por fazer esta deslocação e pelas suas declarações no fim do último jogo de preparação seleção portuguesa de futebol, contra a seleção da Nigéria, há uma semana, no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Falando no interior do estádio, num comentário a esse jogo de preparação, o chefe de Estado elogiou a prestação da equipa portuguesa, que ganhou por 4-0, e contou ter dito aos jogadores que o mundial no Qatar "é um campeonato muito difícil, muito difícil", pela primeira vez disputado "nesta altura do ano, em condições também muito difíceis, num país todo ele muito difícil, desde a construção dos estádios até aos direitos humanos".

Interrogado se foi um erro a atribuição da organização deste campeonato ao Qatar, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu: "Eu acho que o Qatar não respeita os direitos humanos e, portanto, aquilo, toda a construção dos estádios e tal, enfim, é muito discutível, mas esqueçamos isso, agora concentremo-nos -- nem é discutível é criticável, mas concentremo-nos na equipa".

[Notícia atualizada às 15h24]

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